terça-feira, 30 de dezembro de 2008

"Dr." Rudolf?

Outro ponto de similaridade entre negadores da evolução e negadores do Holocausto, embora talvez não tão forte quanto os outros, é o uso de credenciais fraudulentas.

Embora pareça que este fenômeno não é tão difundido entre os "revisionistas", houve dois notáveis exemplos. O primeiro é bastante categórico - Fred Leuchter se apresentou como sendo um engenheiro.

O segundo é mais interessante. Germar Rudolf não conseguiu receber um doutorado do Instituto Max Planck por Pesquisa do estado sólido. Aparentemente, a razão pra não deixá-lo defender sua dissertação foi política, mas mesmo que fosse, o fato é que ele não tem nenhum PhD.

É bem conhecido que Rudolf usou muitos pseudônimos durante sua carreira "revisionista". Embora o uso de pseudônimos não tenha importância geralmente, ele usou pseudônimos com doutorados, e mais tarde justificando isso dessa forma:
Na primavera e verão de 1992 fui chamado por vários advogados de defesa como uma testemunha especialista em vários julgamentos impostos aos revisionistas na Alemanha (ver a nota de rodapé 103 da brochura mencionada). Nestes julgamentos -- como em todos os julgamentos contra os revisionistas -- os juízes recusaram aceitar qualquer evidência apresentada pela defesa, incluindo todas as testemunhas especialistas. Tive que aprender que um químico (eu) estava sendo recusado porque não era um toxicologista e nem historiador, um engenheiro (Leuchter) sendo recusado porque não era nem químico e nem historiador, um historiador (Prof. Haverbeck) sendo recusado porque não era nem químico e nem um engenheiro. Minhas conclusões foram que alguém obviamente tinha que ser ao mesmo tempo um engenheiro, um químico, um toxicologista, um historiador e talvez ser um advogado para ser aceito como uma testemunha especialista na corte alemã. Com o processo legal sendo tão pervertido na Alemanha, decidimos burlar isso inventando uma pessoa com todas essas características, mas então demos conta que isto seria um tanto irreal, então dividimos aquela pessoa em várias.
Nenhuma desculpa dele por esta prática fraudulenta.

De qualquer forma, se você procurar no google por "Dr. Germar Rudolf" você conseguirá muitos hits. E que esta falsificação das credenciais de Rudolf pode ser deliberada está bem claro numa mensagem recente da Cesspit (ênfase minha):
Uma instituição que não identificarei (devido ao fato de anti-revisionistas lerem este tópico de discussão) está levantando dinheiro e como parte do esforço, elas estão vendendo tijolos nos quais pessoas podem ser inscritas com o nome ou algum dito.

Em homenagem às grandes contribuições ao Revisionismo que Germar Rudolf proporcionou aos caçadores da verdade em todo lugar, eu decidi comprar e dedicar um tijolo a ele.

Além do seu nome, eu também tive umas poucas linhas disponíveis onde pude incluir um curto dito.

Qualquer pessoa no tópico da discussão não faz a menor idéia de como é transmitir essa idéia junta.

Também, seria apropriado usar a palavra Dr. no título.

Eu também parti para comprar um tijolo para alguns outros revisionistas que se mobilizaram pela causa, em vida ou morte.
Esta pessoa obviamente sabe que Rudolf não é "Dr.", e já considera aplicar este título a ele de qualquer forma.

Atualização: heh, eles apenas não podem parar de cavar(e afundar). Citações(sugestões)para Rudolf.
"Para Dr Germar Rudolf,
preso por lutar contra
os falsos dogmas da nova religião"

("chamada 'holocau$to")
Atualização 2: e outra:
Tanto pelo Dr. título; pode não ser legal anunciá-lo como um doutor para o negócio, mas sinto que ele muito merece o título, então por que não adicionar o Dr. título. Além do mais, isso pode ajudar a acabar com suspeitas.

Que tal essa:
Dr. Germar Rudolf – por sua implacável procura pela verdade. Obrigado!
Atualização 3: como é costume pra Cesspit, quandouma postagem torna-se embaraçosa demais, ela desaparece. A primeira citação é de "vincentferrer", a segunda - de "kk", a terceira - de "Sushicotto".

Fonte: Holocaust Controversies
Texto(inglês): Sergey Romanov
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2006/05/dr-rudolf.html
Tradução(português): Roberto Lucena

A seguir(mas isto só será tratado em 2009)... "cenas dos próximos capítulos"... Como a máscara nazista, ops, "revisionista", será desfraudada uma vez mais.

Um Raio-X das biografias e perfis dos principais(ou mais destacados ou 'cabeças' do "movimento") "gurus" "revisionistas", vulgo negadores do Holocausto, para servir de consulta pública e também para demonstrar o "quanto" são "pesquisadores e escritores de livros de História" os ditos "revisionistas" do Holocausto.

Esta história de fraudes credenciais de Germar Rudolf foi só um "pequeno" exemplo de como um legítimo "revi" costuma agir, numa espécie de vale tudo pela mentira e pela negação do Holocausto, para propagar suas mentiras e deturpações da História(e esse é um dos mais dedicados e destacados da tropa...).
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Encerramento de 2008.

Agradecendo a todos os falantes(ou não)do português(ao público lusófono em geral)que visitaram este espaço em 2008, e a todos os brasileiros que vivem em outros países e que também visitaram este espaço, felicidades a todos.

Feliz 2009 a todos. Happy New Year, Ein Gutes Neues Jahr, Feliz Año Nuevo, Bonne Année, Felice Anno Nuovo, 明けましておめでとうございます (akemashite omedetou gozaimasu), Gelukkig Nieuwjaar, Gelukkig Nieuwjaar, Szczęśliwego nowego roku, Bon any nou!!, Feliĉigan Novan Jaron, Laimingų Naujųjų Metų, Godt Nytår, Честита Нова Година, baxtalo nevo bersh, С Новым Годом (S novim godom).

Happy New Year for everyone, for whole world.

Iniciada construção de monumento por ciganos mortos pelo nazismo

Iniciada construção de monumento por ciganos mortos pelo nazismo

(Foto)Sinto e rom: indesejados em toda a Europa

Somente quatro décadas após o final da Segunda Guerra eles foram reconhecidos como vítimas, ao lado dos judeus e homossexuais. Mais 20 anos passados, e os sinto e rom receberão um memorial. Apenas um (bom) começo.

Somente quatro décadas após o final da Segunda Guerra eles foram reconhecidos como vítimas, ao lado dos judeus e homossexuais. Mais 20 anos passados, e os sintos e rom receberão um memorial: apenas um primeiro gesto.

O ministro alemão da Cultura, Bernd Neumann, iniciou simbolicamente nesta sexta-feira (19/12), em Berlim, a construção do memorial para os representantes das etnias sinto e rom ("ciganos") assassinados pelo nacional-socialismo. Sob chuva torrencial, ele louvou o futuro monumento como sinal de lembrança e de consternação por este grupo de vítimas, esquecido durante tão longo tempo.

Nomes, uma fonte, uma placa, uma poesia

A menos de 100 passos do Reichstag, o prédio do Parlamento alemão, e à vista do Portão de Brandemburgo encontra-se um gramado. Lá se construirá, nos próximos meses, o memorial para os sintos e rom – etnias popularmente designadas como ciganos – vítimas do nazismo. O projeto é do arquiteto israelense Dani Karavan.

Os nomes dos campos de concentração e extermínio Auschwitz, Treblinka e Buchenwald serão gravados no pavimento. Eles levam a uma fonte, em cuja borda se lê um fragmento da poesia Auschwitz, do músico italiano Santino Spinelli.

faces encovadas
olhos apagados
lábios frios
silêncio
um coração arrancado
sem palavras
nenhuma lágrima


De uma placa consta a epígrafe: "Recordamos todos os rom que tombaram vítimas do genocídio planejado, na Europa ocupada pelos nacional-socialistas". Uma cronologia histórica descreve o processo de exclusão, perseguição e assassínio dos sinto, rom e outros grupos nômades.

Termo controverso

(Foto)Bernd Neumann (e) e prefeito Klaus Wowereit na cerimônia em Berlim

Uma versão anterior da inscrição incluía o termo "ciganos". Este é, contudo, rejeitado pelo Conselho Central dos Sinto e Rom Alemães, sendo considerado por Romani Rose, seu presidente há vários anos, como discriminatório e depreciativo. Rose insiste que se use o termo "sinto e rom", supostamente politicamente correto.

Nem todas as associações são da mesma opinião. Os membros da Aliança Sinto da Alemanha fazem questão de se denominar altivamente "ciganos". Segundo sua presidente, Natascha Winter, o memorial não é apenas para as duas etnias citadas, mas sim para todos os ciganos.

"Defino-me com orgulho como cigana, por que minha gente, meus pais, avós, todos os meus parentes foram perseguidos como ciganos. Portamos esta palavra, "cigano", com orgulho", afirmou.

"Rom" significa simplesmente "homem" ou "ser humano" no idioma romani. Os sintos constituem o grupo étnico mais numeroso nos países germanófonos. Porém há outros que não se sentem absolutamente incluídos pela expressão "sinto e rom", como, por exemplo, os lovari ou os manuche.

Reconhecimento tardio

Transcorreu longo tempo, até esses grupos serem sequer admitidos como vítimas do nacional-socialismo na Alemanha. No tocante ao governo federal, isto só se deu no início dos anos 80. Seguiu-se, em meados da década seguinte, seu reconhecimento como "minoria nacional".

Desde então, a mostra permanente do Memorial Resistência Alemã reverencia o papel dos sinto e rom no nazismo, assim como – somente em 2004 – também o Memorial Sachsenhausen. Desde que foi criada a iniciativa para o memorial dos judeus assassinados da Europa, ficou cada vez mais claro que outros grupos de vítimas – sobretudo os homossexuais e os ciganos – também têm o direito à memória e ao tributo pela nação e pela sociedade.

Porém monumentos de concreto ou pedra não esgotam a questão: a memória cultural deve ser prática social e não um ritual.

Michael Schornstheimer (av)

Fonte: Deutsche Welle
http://www.dw-world.org/dw/article/0,,3890213,00.html

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Porque é negação e não revisionismo. Parte VIII: Os Massacres de Simferopol

Nas páginas 210 e seguintes do livro Treblinka. Extermination Camp or Transit Camp? ("Treblinka. Campo de Extermínio ou Campo de Passagem?"), escrito pelos nossos clientes regulares Carlo Mattogno e Jürgen Graf, lê-se o seguinte (minha tradução):
d. Simferopol e o julgamento de Manstein
O General Marechal de Campo Erich von Manstein era Comandante do Décimo – Primeiro Exército e combatia no Mar Negro e na Crimeia. Em 1949, foi levado perante um tribunal militar britânico em Hamburgo sob acusação de cumplicidade com os massacres cometidos pelo Einsatzgruppe D. Seu advogado de defesa era o inglês Reginald T. Paget, quem escreveu um livro – traduzido para alemão no ano seguinte – sobre o julgamento em 1951. Nesse livro, reporta o seguinte a respeito das actividades do Einsatzgruppe D na Crimeia:
"A mim, os números declarados pelo SD pareciam-me completamente impossíveis. Companhias individuais de cerca de 100 homens com cerca de 8 veículos eram declarados como tendo morto 10.000 a 12.000 judeus em dois ou três dias. Uma vez que, como se recordará, os judeus acreditavam no seu realojamento e consequentemente levavam as suas pertenças consigo, o SD não pode ter transportado mais do que vinte ou trinta judeus respectivamente num camião. Por cada veículo, considerando o carregamento, 10 quilómetros de percurso, descarregamento e retorno, deve ter passado um tempo estimado de duas horas. O dia de Inverno na Rússia é curto e não se podia conduzir à noite. A fim de matar 10.000 judeus, teriam sido necessárias pelo menos três semanas.
Em um dos casos fomos capazes de verificar os números. O SD afirmava ter morto 10.000 judeus em Simferopol em Novembro e declarou a cidade livre de judeus em Dezembro. Através de uma séria de verificações, formos capazes de provar que o fuzilamento de judeus em Simferopol tinha ocorrido num único dia, especificamente em 16 de Novembro. Havia apenas uma única companhia do SD em Simferopol. O local de execução situava-se a 15 quilómetros da cidade. O número de vítimas não pode ter sido superior a 300, e esses 300 provavelmente não eram apenas judeus, mas uma colecção de diversos elementos que estavam sob suspeita de pertencer ao movimento de resistência. O caso de Simferopol foi amplamente difundido pelo público aquando do julgamento, uma vez que tinha sido mencionado pela única testemunha viva para esta acusação, um soldado austríaco com o nome de Gaffal. Este alegou que tinha ouvido a operação contra os judeus ser mencionada na cantina dos sapadores, onde era o homem da ordenança, e que tinha passado pelo local da execução perto de Simferopol. Depois de este depoimento recebemos uma quantidade de cartas e fomos capazes de apresentar várias testemunhas que tinham ficado junto de famílias judias no quarteirão e reportaram sobre os serviços religiosos na sinagoga bem como o mercado judeu, onde tinham comprado ícones e velharias – até à altura em que Manstein partiu da Crimeia e mesmo depois. Não havia qualquer dúvida de que a comunidade judaica em Simferopol tinha continuado a existir abertamente, e embora alguns dos nossos opositores tivessem ouvido rumores de violência contra os judeus em Simferopol, parecia mesmo assim que a comunidade judaica não estava consciente de nenhum perigo em particular."

Mattogno & Graf citam o advogado de defesa de Manstein, Reginald T. Paget, no contexto da sua tentativa de demonstrar que os "Relatórios de Situação Operacional URSS" dos Einsatzgruppen, esquadrões da morte do Sicherheitsdienst(Serviço de Segurança) de Reinhard Heydrich, que se contam entre a evidência mais directa e condenatória das chacinas em massa nazis e podem ser parcialmente lidas em tradução inglesa sob este link, foram muito exagerados pelos seus autores e que o número real de execuções levado a cabo por estes esquadrões da morte era muito inferior do que aquele que resulta dos referidos relatórios. Os superiores dos comandantes dos Einsatzgruppen, até ao nível dos próprios Heydrich e Himmler, devem ter sido fulanos muito ingénuos e confiantes que não consideraram necessário implementar qualquer mecanismo de controlo para verificar a exactidão daquilo que lhes era reportado sobre a execução das suas ordens, ou então não se importavam com a medida em que as suas ordens eram de facto executadas, enquanto os comandantes das Einsatzgruppen, por outro lado, supostamente não levavam o seu trabalho muito a sério e rotineiramente enganavam os seus superiores alegando logros muita para além do que tinham realmente conseguido.

Paget, o advogado de Manstein, parece ter acreditado neste cenário bastante improvável, ou então foi o que contou aos seus leitores no livro que escreveu sobre o julgamento de Manstein. Seguidamente vamos examinar a consistência e exactidão das alegações de Paget.

Começamos pelas dúvidas gerais de Paget sobre a possibilidade logística de executar massacres do tamanho e dentro do tempo reportados.

Paget alega que existem relatórios em que « cerca de 100 homens com cerca de 8 veículos eram declarados como tendo morto 10.000 a 12.000 judeus em dois ou três dias». Isto é impossível, afirma Paget, porque o transporte das vítimas para o local de execução era uma estreiteza que não podia ser ultrapassada já que os destacamentos especiais do SD tinham demasiado poucos veículos e não podiam enche-los até ao limite da sua capacidade com pessoas porque os judeus destinados a serem executados levavam consigo as suas pertenças, acreditando que iriam ser realojados.

O pressuposto subjacente a esta alegação de Paget é que as vítimas eram levadas com veículos motorizados das cidades ou aldeias onde viviam para locais de execução isolados a alguma distância daí. Isto não era necessariamente o caso. No massacre de Babi Yar em 29/30 de Setembro de 1941, por exemplo, as mais de 30.000 vítimas tiveram que caminhar em longas filas para uma ravina perto da cidade de Kiev, onde foram abatidas a tiro. Em Kharkov, em meados de Dezembro de 1941, cerca de 15.000 judeus tiveram que marchar a pé até uma fábrica de tractores fora da cidade, na qual foram concentrados e perto da qual foram posteriormente abatidos a tiro, nos primeiros dias de Janeiro de 1942. No meu artigo Neither the Soviets nor the Poles have found any mass graves with even only a few thousand bodies ... [versão em português], é apresentada alguma evidência relativa a este massacre.

No entanto, mesmo quando as vítimas eram levadas em veículos motorizados para um local de matança fora da sua cidade ou vila e abatidos assim que chegavam àquele local, as limitações invocadas por Paget não se aplicavam necessariamente.

Por um lado, os Einsatzgruppen, como veremos no que respeita ao massacre que será descrito mais detalhadamente neste artigo, podiam contar com veículos disponibilizados pela Wehrmacht alemã, incluindo camiões inimigos capturados e autocarros civis requisitados, a fim de ter uma capacidade de transporte adequada ao tamanho e duração pretendidos da respectiva operação de matança.

O espaço de transporte disponível podia ainda ser alargado estipulando uma limitação ao montante de pertences que era permitido aos judeus levar consigo para a alegada deportação, ou ordenando-lhes que deixassem atrás todos os seus pertences, que alegadamente lhes seriam enviados mais tarde. Este procedimento foi aplicado nas matanças com camiões de gaseamento, vide Kogon, Langbein, Rückerl e outros, Nationalsozialistische Massentötungen durch Giftgas ("Matanças em massa nacional-socialistas mediante gás tóxico"), página 91 (citação do depoimento de Ramasan Sabitovich Chugunov, comandante de pelotão de um batalhão da polícia auxiliar local, relativamente à liquidação do gueto de Minsk em Outubro de 1943) e página 121 (depoimento do trabalhador ferroviário polaco Vladyslav Dabrovski relativamente a transportes para o campo de extermínio de Chelmno). Como veremos mais adiante neste artigo, este procedimento também foi aplicado em pelo menos uma ocasião em que os judeus foram conduzidos para um local de matança fora da localidade e lá abatidos a tiro.

As versões maiores dos camiões de gaseamento utilizados pelos Einsatzgruppen foram descritas por várias testemunhas como podendo levar 50, 60 ou até mais pessoas de cada vez (Kogon e outros, conforme supra, página 87, citação do depoimento do condutor de camião de gaseamento Erich Gnewuch; págima 91, citação do depoimento de Chugunov, acima mencionado; página 98, referência ao depoimento do condutor de camião de gaseamento Pauly; página 105, referência ao depoimento de Schiewer, membro do Einsatzkommando 11a; página 128, citação do depoimento do condutor de camião de gaseamento Gustav Laabs, Chelmno; página 141, citação de relatório escrito pelo condutor de camião de gaseamento Walter Piller). As medidas do compartimento de gaseamento de um destes camiões foram descritas como tendo sido as seguintes, pelo condutor de camião de gaseamento Burmeister, Chelmno (citação do depoimento em Kogon e outros, página 125): 4 a 5 metros de comprimento, 2,2 metros de largura e 2 metros de altura – uma área de carga de pelo menos 8,8 metros quadrados, suficiente para acomodar pelo menos 70 pessoas. Portanto, podemos partir do princípio de que, se os camiões utilizados para transportar judeus aos locais de fuzilamento eram tão grandes como as versões maiores dos camiões de gaseamento aplicados em fase posterior do processo de extermínio, cada um destes camiões podia levar no mínimo 50 judeus para o respectivo local de fuzilamento.

No que respeita ao tempo de transporte necessário, é difícil entender por que razão um percurso de 10 quilómetros incluindo carregamento e descarregamento demoraria o «tempo estimado de duas horas» que Paget considera. Sendo aplicada a pressão necessária, quinze minutos para cada uma das tarefas de carregamento no local de concentração, condução (a uma velocidade de apenas 40 quilómetros/hora), descarregamento e retorno parecem ser tempo suficiente. Portanto, os oito camiões que Paget menciona podiam, sob os meus pressupostos acima descritos, transportar 400 judeus para o local de matança cada hora e 2.800 num dia de trabalho de Inverno que se presume ter durado das 9:00 às 16:00 horas. Aumentando o número de veículos por recurso ao parque da Wehrmacht e/ou a requisições, este número podia ser facilmente duplicado ou triplicado.

No que respeita às tarefas de isolar o local da matança, ordenar às vítimas a despir-se, leva-las à vala em massa ou ravina em que seriam abatidos e abate-los a tiro lá, os destacamentos especiais das Einsatzgruppen não estavam sós, mas contavam com a assistência de outras forças, tais como a polícia de ordem e as unidades de Feldgendarmerie (polícia militar) e Geheime Feldpolizei (Polícia Secreta de Campo) da Wehrmacht. Assim, por exemplo, o massacre de Babi Yar foi executado pelo Sonderkommando 4a da Einsatzgruppe C em cooperação «com o quartel-geral da EGC e dois comandos do regimento de polícia Sul» (minha tradução). Segundo o historiador alemão Wolfram Wette ("Babij Yar 1941", em: Wolfram Wette / Gerd R. Ueberschär (editores), Kriegsverbrechen im 20. Jahrhundert ("Crimes de Guerra no Século 20"), páginas 152-164), o Sonderkommando 4a era composto por membros do Sicherheitsdienst e da Sicherheitspolizei (Polícia de Segurança), uma companhia de um batalhão da Waffen-SS e um pelotão de um batalhão de polícia, e reforçado por outros dois batalhões de polícia e unidades da polícia auxiliar ucraniana. A tarefa de supervisionar e vigiar a marcha dos judeus de Kiev para a ravina em que teve lugar a matança foi executada por tropas da Wehrmacht às ordens de Eberhard, comandante da cidade. O massacre dos judeus de Kharkov no início de Janeiro de 1942 foi efectuado conjuntamente pelo Sonderkommando 4a e o Batalhão de Polícia 314, que estava a cargo de isolar o local da matança. No massacre que será descrito em mais detalhe neste artigo, o destacamento especial do Einsatzgruppe D era reforçado por dois batalhões de reserva da polícia bem como membros do Feldgendarmerieabteilung(FGA) 683 e a unidade 647 da Geheime Feldpolizei (GFP).

Resumindo, se « cerca de 100 homens com cerca de 8 veículos» (Paget) não eram suficientes para matar o número necessário de judeus dentro do tempo necessário, era possível obter recursos humanos e materiais adicionais na medida necessária para obter o resultado desejado.

Expostas assim as falácias das objecções logísticas de Paget, vamos ver a operação particular em relação à qual Paget alega ter sido capaz de «verificar os números», a matança dos judeus de Simferopol.

Paget alega ter conseguido « provar que o fuzilamento de judeus em Simferopol tinha ocorrido num único dia, especificamente em 16 de Novembro », que «o número de vítimas não pode ter sido superior a 300», e que «esses 300 provavelmente não eram apenas judeus, mas uma colecção de diversos elementos que estavam sob suspeita de pertencer ao movimento de resistência».

Uma reconstrução detalhada dos acontecimentos em Simferopol em Novembro e Dezembro de 1941, baseada em evidência documental e em numerosos depoimentos de testemunhas oculares recolhidos no decurso de várias investigações por autoridades de justiça penal da Alemanha Federal, encontra-se nas páginas 323 e seguintes do livro Besatzungspolitk und Massenmord. Die Einsatzgruppe D in der südlichen Sowjetunion 1941-1943 ("Política de Ocupação e Assassínio em Massa. O Einsatzgruppe D no sul da União Soviética, 1941 – 1943"), do historiador Andrej Angrick. Esta reconstrução, da qual fornecerei um resumo a seguir, mostra que são falsas as alegações de Paget, acima referidas.

No início de Novembro de 1941, Otto Ohlendorf, o comandante do EinsatzgruppeD, transferiu o estado-maior da sua unidade de Nikolajev para Simferopol, a capital da Crimeia. Simferopol era uma importante base de tropas e mantimentos alemães, tendo lá os seus quartéis-gerais os estados maiores dos corpos do exército XXX e LIV e da 72ª e 22ª divisões de infantaria, o Encarregado de Logística Chefe, o Comandante da Força Aérea junto do 11º Exército e o Comando Económico competente. A administração da cidade estava a cargo do Posto de Comando Local (Ortskommandantur) I/853 sob o mando do Capitão Kleiner, que efectuou um censo da população local segundo a sua etnia e constatou que, dos 156.000 habitantes originais, 120.000 de vários grupos populacionais tinham ficado em Simferopol, entre eles 11.000 de originalmente 20.000 judeus. Relativamente aos judeus, o relatório do posto de comando local, datado de 14 de Novembro de 1941 e guardado nos Arquivos Federais/Arquivos Militares da República Federal Alemã (Bundesarchiv/Militärarchiv), indicou que seriam "executados pelo SD".

Embora este documento torne claro que havia a intenção de exterminar os judeus de Simferopol e que a Wehrmacht estava consciente deste facto, dois problemas impediram que a matança fosse efectuada em Novembro de 1941. Um desses problemas era ideológico, o outro de natureza prática.

O problema ideológico consistia em que, na península de Crimeia, havia três grupos populacionais diferentes que estavam potencialmente sujeitos às políticas nazis relativas aos judeus. Eram estes:

1. Os caraítas, um povo turco que aderia ao judaísmo;

2. Os krimchaks ou krymchaks: segundo Angrick, estes eram descendentes de judeus sefarditas espanhóis que já não aderiam à religião judaica (outra informação sobre os krimchaks pode ser encontrada aqui);

3. Judeus ashkenazi emigrados da Europa Central e os seus descendentes.

Enquanto não havia dúvida de que o terceiro destes grupos seria aniquilado, havia incerteza entre os feitores das políticas nazis sobre como tratar os outros dois. Depois de consultar os seus especialistas "científicos" sobre "assuntos judaicos", o próprio Himmler – que mantinha ser o único a quem cabia decidir quem era judeu e quem não – finalmente decidiu que os caraítas seriam poupados, uma vez que não eram judeus de "raça". Os krimchaks, pelo outro lado, seriam mortos, porque em termos "raciais" eram judeus. A decisão de Himmler deve ter sido tomada entre os dias 5 de Dezembro de 1941 (a data do Relatório de Situação 142, que ainda menciona a "questão dos krimchaks") e 9 de Dezembro de 1941, a data em que, como veremos a seguir, os Krimchaks de Simferopol foram exterminados.

O problema prático que obstava ao extermínio dos judeus de Simferopol em Novembro de 1941 era que a actividade guerrilheira naquela área, grandemente exagerada em relatórios do exército alemão, fez com que o Comando Supremo do 11º Exército mandasse cada homem que tinha à sua disposição a combater os guerrilheiros, sendo o Einsatzgruppe D utilizado em missões de reconhecimento sobre movimentos guerrilheiros.

No início de Dezembro de 1941, contudo, a ameaça tinha diminuído depois de terem sido mortos ou capturados cerca de mil guerrilheiros, e com a chegada de uma brigada de tropas de montanha romenas como reforço, Ohlendorf já não tinha que utilizar os seus homens em missões de reconhecimento contra a guerrilha. Ao mesmo tempo, a transferência de Odessa para Simferopol do Sonderkommando 11b sob o comando de Werner Braune trouxe-lhe recursos adicionais para executar a sua principal tarefa, a de aniquilar os judeus. Os Quartel – Mestre Chefe da Wehrmacht, Hauck, favoreceu esta medida e até insistiu nela, uma vez que via a "acção relativa aos judeus" (Judenaktion) como forma de aliviar a dramática situação de alimentos em Simferopol, livrando-se de bocas para alimentar. O próprio comandante do 11º Exército, von Manstein, tinha dado o seu consentimento às matanças numa ordem que emitiu em 20 de Novembro de 1941, a qual continha a seguinte indicação (minha tradução de Angrick, como supra, página 338):
O soldado deverá mostrar compreensão perante a necessidade de submeter a uma dura retribuição o judaísmo, o portador espiritual do bolchevismo. Esta também é necessária para estrangular à nascença quaisquer revoltas, que são maioritariamente incitadas por judeus.

A "dura retribuição" começou em Simferopol em 9 de Dezembro de 1941, quando o Sonderkommando 11b e o estado-maior da Einsatzgruppe D exterminaram os krimchaks da cidade, provavelmente 1.500 pessoas no mínimo. Logo a matança parou durante dois dias porque Ohlendorf teve que resolver um problema de pessoal: os polícias da 4ª Companhia do Batalhão de Reserva da Polícia 9, que tinham assistido ao Einsatzgruppe D nos seus massacres desde o início da campanha da Rússia, estavam cansados de matar e tinham solicitado que lhes fosse dada outra missão. O seu pedido foi atendido, e Ohlendorf teve que esperar até que a unidade de substituição, a 3ª Companhia do Batalhão de Reserva da Polícia 3, chegasse a Simferopol.

Quando a 3ª Companhia do Batalhão de Reserva da Polícia 3 chegou a Simferopol, não houve tempo para habituar os seus homens à matança de uma forma gradual. Com a ajuda de todos os homens disponíveis de outros destacamentos da Einsatzgruppe D, os polícias e ambos batalhões de polícia e os membros destacados da FGA 683 e da GFP 647, o Sonderkommando 11b de Braune e o estado maior da Einsatzgruppe D de Ohlendorf continuaram a execução em 11 de Dezembro de 1941. Braune tinha dito aos seus homens que tinham um "grande dia de combate" (Grosskampftag) pela frente e que até os médicos teriam que participar. A matança dos judeus durou três dias. Ordenou-se aos judeus que se reunissem na área do antigo edifício do partido comunista no centro da cidade e entregassem as suas bagagens e objectos de valor, uma vez que – assim os carrascos lhes disseram – caso contrário estes poderiam ser roubados durante o transporte que os levaria ao serviço de trabalho, e os receberiam posteriormente. Camiões do Einsatzgruppe e o exército, autocarros e também veículos capturados menores foram utilizados para transportar a pessoas rapidamente para uma vala contra tanques fora de Simferopol. Os membros do Batalhão de Reserva da Polícia 3 tiveram que participar logo na chacina. Alguns tinham notado que colegas do Batalhão de Reserva da Polícia 9 estavam "pirados"; agora perceberam porque. Uma e outra vez, na presença de Ohlendorf e Braune, soou a ordem "Preparados, apontem, fogo!". 50 homens em linha disparavam em salvas. Os membros experientes da Einsatzgruppe administravam chamados golpes de misericórdia. Soldados da Wehrmacht também participaram no fuzilamento, não sendo possível estabelecer se estes eram exclusivamente polícias militares e membros da Geheime Feldpolizei. No frio gelado prisioneiros escolhidos tinham que empilhar os corpos na vala de modo a que não fosse desperdiçado espaço, enquanto outros arrastavam cadáveres deitados fora da vala e atiravam-nos para dentro desta. Quem tentava escapar ou fingia estar morto era abatido por homens da Einsatzgruppe com pistolas metralhadoras. O cinismo dos carrascos estava sempre presente, como quando foi dada instrução para não gastar outra bala numa judia ainda viva dentro da vala uma vez que um montão de terra seria atirado para cima dos cadáveres e ela então sufocaria de qualquer forma. Um judeu jovem tentou resistir, pelo que o comandante da acção ordenou que não fosse abatido a tiro mas espancado até à morte. Assim a chacina continuou nos próximos dias. Finalmente a Einsatzgruppe também estendeu a sua acção aos ciganos, tendo um pedido do exército presumivelmente sido um dos factores que conduziram à decisão de eliminar também este grupo da população.

No Relatório de Situação Operacional URSS Nº 150 de 02.01.1942, Ohlendorf reportou que, com o fim a acção em 15 de Dezembro de 1941, Simferopol, junto com outras partes da Crimeia, tinha sido livrado de judeus. Esta afirmação revelou-se como errada, uma vez que muitos judeus ainda estavam escondidos. Massacres menores em toda a Crimeia continuaram até ao fim do ano.

Termina assim o meu resumo da reconstrução por Angrick dos acontecimentos em Simferopol em Novembro de Dezembro de 1941. Como disse antes, esta reconstrução baseia-se em evidência documental e em numerosos depoimentos de testemunhas oculares. A descrição supra do massacre que começou em 11 de Dezembro de 1941, por exemplo, é baseada nos depoimentos de testemunhas oculares registados em ficheiros de investigação de autoridades de justiça penal da Alemanha Federal, referidos nas páginas 340 a 342 do livro de Angrick: Paul Zapp, Sergej Myshekov, Georg Glück, Hermann Frenser, Georg Mandt, Hans Günther, Hans Kurz, Hans Fibiger, Walter Güsfeldt, Fritz Urbach, Kurt Wehrbein, Karl Jonas, Heinz Hoffmann, Harry Pilawski, Wilhelm Ickerott, Paul Lohmann, e outros. Estas testemunhas oculares, excepto provavelmente pela testemunha soviética Myshekov, tinham participado na matança como membros de uma ou outra unidade envolvida na mesma.

Passo a traduzir uma parte da Relatório de Situação Operacional URSS Nº 150, cuja tradução para inglês pode ser lida aqui:
Simferopol, Yevpatoria, Alushta, Krasubasar, Kerch, Feodosia e outros distritos da Crimeia ocidental se encontram livres de judeus. Entre 16 de Novembro e 15 de Dezembro de 1941, 17.645 judeus, 2.504 Krimchaks, 824 ciganos, e 212 comunistas e guerrilheiros foram abatidos a tiro. Em total têm sido executadas 75.881 pessoas.

A última destas cifras refere-se ao número total de execuções pelo Einsatzgruppe D desde o início da campanha da Rússia. A maior parte dos números relativos a Crimeia correspondem provavelmente aos massacres de Simferopol, seguidos pelos massacres de Kerch nos primeiros dias de Dezembro (cerca de 2.500 Jews) e em Feodosia por volta de 10 de Dezembro de 1941 (mais de 1.000 judeus e Krimchaks), também descritos em detalhe por Angrick.

Resulta claro, portanto, que a alegação de Paget sobre uma única massacre menor em Simferopol em 16 de Novembro de 1941 não tem nada a ver com o registo histórico do destino dos judeus e krimchaks de Simferopol, a maioria dos quais foram mortos nos massacres em 9 de Dezembro e a partir de 11 de Dezembro de 1941.

Ora, o que é que isto significa no que respeita à alegação de Paget de que houve «várias testemunhas que tinham ficado junto de famílias judias no quarteirão e reportaram sobre os serviços religiosos na sinagoga bem como o mercado judeu, onde compraram ícones e velharias – até à altura em que Manstein partiu da Crimeia e depois»? Trata-se de uma alegação deliberadamente falsa, ou será que as testemunhas eram falsas testemunhas ansiosas por tirar Manstein do seu apuro?

Não necessariamente. Como vimos acima, Himmler decidiu poupar os caraítas porque não eram considerados judeus em termos "raciais". Os caraítas praticam o caraísmo, e portanto o contacto com a população caraíta de Simferopol pode ter levado as testemunhas de Paget a descreve-los como judeus e a acreditar que os judeus de Simferopol não tinham sido aniquilados.

As alegações erróneas de Paget podem ser perdoadas a um advogado de defesa no fim da década de 1940, com acesso limitado a informação sobre os acontecimentos em questão e preocupado unicamente em defender o seu cliente tão bem quanto possível.

Mas pode também ser perdoado a Mattogno & Graf, que pretendem ser historiadores ou pesquisadores de história, o terem aceite como verídicas as alegações de Paget, sem verifica-las com base em outras fontes, e transcrito estas alegações no seu livro como se da narração de factos indisputáveis se tratasse?

Vejamos o que fez Angrick: recolheu toda a informação documental e de testemunhas oculares que conseguiu encontrar em vários arquivos e juntou as peças que encontrou numa descrição dos acontecimentos tão exacta quanto possível.

É isto o que fazem os historiadores.

Mattogno & Graf, por outro lado, basearam as suas conclusões relativamente aos massacres de Simferopol numa única fonte – e nem sequer uma fonte primária – que por acaso encaixava nas suas noções preconcebidas.

Isto não é o que fazem os historiadores. Isto é o que fazem charlatães desleixados com uma agenda ideológica. Mattogno & Graf não estão revisando noções aceites sobre um acontecimento histórico ou um conjunto de acontecimentos com base em evidência anteriormente desconhecida. O que fazem é ignorar ou rejeitar toda a evidência que contradiz as suas noções preconcebidas – e que, no caso das massacres de Simferopol, é bastante abundante – e basear as suas conclusões numa fonte secundária conveniente que está tão afastada da evidência quanto as noções preconcebidas de quem nela se baseia.

E esta, mais uma vez, é a razão pela qual o "revisionismo", conforme representado por Mattogno & Graf entre outros "estudiosos", não tem nada a ver com revisionismo no sentido estrito da palavra, o de um método que faz parte da historiografia. É apenas a negação de acontecimentos inconvenientes a certas noções preconcebidas e artigos de fé, propaganda com motivação ideológica.

[Tradução adaptada do meu artigo The Simferopol Massacres no blog Holocaust Controversies]

Próximo >> Parte IX(1): "Os relatórios dos Einsatzgruppen ...

Outros artigos da série That's why it is denial, not revisionism, já traduzidos para português:

Porque é negação e não revisionismo. Parte I: negadores e o Sonderkommando 1005

Porque é negação e não revisionismo. Parte II: negadores e as valas de Marijampole

Porque é negação e não revisionismo. Parte III: negadores e o massacre de Babiy Yar (1)

Porque é negação e não revisionismo. Parte IV: negadores e o massacre de Babiy Yar (2)

Porque é negação e não revisionismo. Parte V: negadores e o massacre de Babiy Yar (3)

Porque é negação e não revisionismo. Parte VI: negadores e o massacre de Babiy Yar (4)

Porque é negação e não revisionismo. Parte VII: outras patéticas objeções aos relatórios dos Einsatzgruppen

Ver também: Técnicas dos negadores do Holocausto

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Como se tornar um negador de valas em massa em 10 simples passos

Como se tornar um negador de valas em massa em 10 simples passos

Não há necessidade de visitar um arquivo ou até mesmo ir para escola! Você pode praticar esses passos na privacidade de sua própria casa ou Führerbunker.

1. Sempre diga que o local das valas é pequeno demais ou grande demais, apesar de ignorar a óbvia contradição entre estas duas posições.

2. Chame seu oponente de "porco judeu", "mentiroso judeu" ou "supremacista judeu", apesar de insistir em dizer que não há qualquer coisa de anti-semitismo nisto.

3. Ignore o fato de que as leis da religião judaica têm proibições contra as alterações em restos humanos. Exija autópsias completas que contrariaria essas leis.

4. Finja que escavações parciais ou perfurações tenhan sido completas no local das investigações e julgue contra os resultados daquele ponto de referência.

5. Quando referir-se às traduções dos relatórios poloneses ou soviéticos do pós-guerra das escavações das valas em massa, francamente os rejeite dizendo que aqueles 'comunistas' eram mentirosos e que não podem ser confiáveis. Quando forem mostradas evidências independentes em relação às daqueles 'comunistas' e que corroboram seus achados, ignore o argumento ou argua como per item 7.

6. Finja que apenas aquelas partes de uma escavação que estejam publicadas online tenham diso na verdade conduzidas. Se não está online, não existe! Esqueça que isto rejeitaria quase todos os estudos históricos dos assassínios em massa ou casos criminosos já conduzidos.

7. Insista que os documentos alemães do período de guerra e os perpetradores testemunhas oculares não constituem evidência real, sem explicar o porquê.

8. Insista que se toda vítima não pode ser identificada pelo nome, ou se a vítima estimou alguma mudança ao longo do tempo, isto prova que os assassinatos não ocorreram. Ignore esta regra quando discutir o bombardeio incendiário de Dresden ou crimes contra alemães étnicos do leste da Europa.

9. Mantenha o pedido de mostrar 'apenas uma' amostra de um fragmento de osso, dentes ou outros tipo de restos humanos. Quando perguntado sobre a relevância de sua exigência, ignore a pergunta e repita o pedido. Quando fotografias exibidas de restos humanos encontrados no local do assassínio em massa nazista, brade que isto não prova que isto na verdade são a) restos humanos e b) restos humanos judeus. Alternativamente, argua que tais restos não poderiam ser trazidos de lá do local do cemitério.

10. Aplique a falácia "falsus in uno, falsus in omnibus"(falso em um ponto, falso em todos) para qualquer fonte (e.g. os relatos das testemunhas oculares dados ao Padre Desbois), sem referência a quaisquer ordem jurídica estabelecida ou regras historiográficas que justicariam tal enfoque negacionista para a evidência.

Fonte: Holocaust Controversies
Texto(inglês): Jonathan Harrison
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2008/12/how-to-become-mass-graves-denier-in-10.html
Tradução(português): Roberto Lucena

Ver também: Técnicas dos negadores do Holocausto

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Nem os soviéticos nem os polacos encontraram valas em massa com sequer alguns poucos milhares de cadáveres …

… ou então, é isto que Mattogno & Graf contam aos seus leitores na página 226 do seu livro sobre Treblinka, onde escrevem o seguinte:

Ora, considerando que, segundo um dos estudos mais completos que existem sobre o assunto, só os Einsatzgruppen teriam abatido 2.200.000 de pessoas (judeus e não judeus), que unidades da Wehrmacht, das SS e da polícia também são acusadas de centos de milhares de assassinatos, e que – conforme já foi salientado – nem os soviéticos nem os polacos encontraram quaisquer valas em massa com sequer alguns poucos milhares de cadáveres, os 'Destacamentos Especiais 1005' devem ter exumado e queimado entre um milhão e meio e três milhões de corpos.


Questiono-me se a fonte de Mattogno, o estudo sobre os Einsatzgruppen publicado em 1981 pelos historiadores alemães H. Krausnick e Hans Heinrich Wilhelm, de facto atribuiu 2.200.000 mortes aos Einsatzgruppen, mas não é este o assunto de momento. O assunto é se a afirmação de Mattogno/Graf de que «nem os soviéticos nem os polacos encontraram valas em massa com sequer alguns poucos milhares de cadáveres» resiste à verificação.

A fim de averiguar isto, olhei para alguns relatórios de investigações soviéticas de locais de matanças que tenho à minha disposição. As partes pertinentes desses relatórios são traduzidas a seguir.

1. Extracto de O Veredicto do Povo: um relatório completo do procedimento nos julgamentos de atrocidades alemãs em Krasnodar e Kharkov– Ignatik Fedorovich Kladov; Ivan Fedorovich Kotomtsev, acusado; Reinhard Retzlaff, acusado; Wilhelm Langheld, acusado. (NY: 1943, 1944), páginas 110 – 111 (cortesia de Scott Smith, vide a minha mensagem de 20-Feb-2006 21:50 no fórum RODOH). Os destaques são meus:

Sessão da manhã, 17 de Dezembro de 1943.
Factos apurados pela Comissão de Peritos Médico-Legais:

"Em Kharkov e nas localidades circundantes os peritos médico-legais examinaram os locais dos crimes dos invasores fascistas alemães — os lugares onde estes efectuaram o extermínio de cidadãos soviéticos. Estes incluem o bloco queimado do hospital do exército, onde abateram e queimaram prisioneiros de guerra — pessoal do Exército Vermelho gravemente ferido; o local do fuzilamento em massa de pessoas saudáveis ou doentes, de crianças pequenas, adolescentes, pessoas jovens, homens e mulheres de idade no parque florestal de Sokolniki, perto da aldeia de Podvorki, na ravina de Dobritsky, e na colónia terapêutica de Strelechye. Nestes locais os peritos médico-legais examinaram as valas de sepultura e exumaram corpos de cidadãos soviéticos abatidos a tiro, envenenados, queimados ou de outra forma brutalmente exterminados.

"Os peritos médico-legais examinaram os lugares onde os invasores fascistas alemães queimaram corpos para destruir a evidência dos seus crimes — o envenenamento com monóxido de carbono. Este é o sítio da conflagração no terreno das barracas da fábrica de tractores de Kharkov. O exame dos terrenos onde os corpos foram queimados ou enterrados, o exame das valas de sepultura e das posições dos corpos dentro destas, e a comparação do material assim obtido com os dados do procedimento do Tribunal, dão razões para considerar que o número de corpos de cidadãos soviéticos chacinados em Kharkov e arredores chega às várias dezenas de milhares, enquanto o número de 33.000 cidadãos soviéticos indicado pelos acusados e algumas testemunhas é apenas uma aproximação e sem dúvida demasiado baixo.

"Nas 13 valas de sepultura abertas em Kharkov e na sua vizinhança imediata foi encontrado um grande número de cadáveres. Na maioria das valas os corpos estavam deitados de forma extremamente desordenada, entrelaçados uns com os outros de maneira fantástica, emaranhados de forma indescritível. Os corpos estavam deitados de tal forma que se pode afirmar que não foram enterrados nas valas comuns, mas amontoados ou arremessados para dentro das valas. Em duas valas no parque florestal de Sokolniki os corpos foram encontrados deitados em filas rectas, com os braços dobrados no cotovelo e as mãos apertadas contra as faces ou os pescoços. Todos os corpos tinham feridas de bala nas suas cabeças. A posição dos corpos não era acidental. Prova que as vítimas foram forçadas a deitar-se com a cara para baixo e abatidas nessa posição.
Nas valas em que os corpos se encontravam e nos lugares onde os corpos tinham sido queimados, os peritos médico-legais encontraram artigos de uso diário e efeitos pessoais, tais como malas, sacos, facas, tachos, canecas, óculos, fitas para sujeitar malas de mão de senhora, etc. O facto revelado pela investigação — nomeadamente, que antes de serem assassinados os cidadãos soviéticos foram privados do seu calçado — é plenamente confirmado pelos exame médico-legal: durante as exumações os peritos, na maior parte dos casos, descobriram corpos nus ou seminus.

"A fim de certificar quais os cidadãos soviéticos exterminados e de que forma, os peritos exumaram e examinaram 1.047 corpos em Kharkov e arredores, incluindo os corpos de 19 crianças e adolescentes, 429 mulheres e 599 homens. A idade dos mortos ia dos dois até aos 70 anos. O facto de terem sido descobertos os corpos de crianças, adolescentes, mulheres e homens de idade nas valas de sepultura, bem como artigos de uso doméstico e efeitos pessoais nos corpos ou perto destes, prova que as autoridades fascistas alemãs exterminaram cidadãos soviéticos independentemente do sexo ou da idade. Por outro lado, o facto de nos corpos de homens jovens e de meia idade terem sido encontradas vestimentas de corte militar utilizadas no Exército Vermelho, bem como artigos de equipamento militar (tachos, canecas, cintos, etc.) é evidência de que se trata de prisioneiros de guerra soviéticos.
[…]
"Com base em todos os dados dos seus procedimentos no seu conjunto, os peritos médico-legais estabeleceram o seguinte:

"(a) Um grande número de locais de sepultura na cidade de Kharkov e nas suas imediações.

"(b) Um grande número de corpos nas valas de sepultura.

"(c) Que em várias valas os corpos foram enterrados em alturas diferentes.

"(d) Vários graus de preservação dos corpos nas mesmas valas.

"(e) Distinção dos corpos por sexo e idade.

"(f) Uniformidade dos métodos de extermínio de seres humanos.

"Consideramos o acima exposto como prova do extermínio em massa sistemático, metodicamente organizado, de civis e prisioneiros de guerra soviéticos.

"Perito médico-legal chefe do Comissariado do Povo para Protecção da Saúde da U.R.S.S., Director do Instituto Estatal de Pesquisa de Medicina Forense do Comissariado do Povo para Protecção da Saúde da U.R.S.S., Prozorovsky.

"Professor de Medicina Forense do Segundo Instituto Médico de Moscovo, Doutor de Ciências Médicas Smolyaninov.

"Cientista sénior do quadro do departamento tanatológico do Instituto Estatal de Pesquisa de Medicina Forense do Comissariado do Povo para Protecção da Saúde da U.R.S.S., Dr. Semenovsky.

"Perito médico-legal chefe do 69º Exército, major do Serviço Médico Gorodnichenko.

"Anatomista – patologista Major do Serviço Médico Yakusha.

"Após tradução do relatório dos factos apurados pelos peritos médico-legais para a língua alemã, o Presidente, Juiz Major-General Miasnikov, declarou concluídos os procedimentos do Tribunal."


2. Extracto do relatório de uma comissão investigadora soviética em Zhitomir, 5 a 16.02.1944
Fonte: Ernst Klee/ Willi Dreßen, »Gott mit uns« Der deutsche Vernichtungskrieg im Osten 1939-1945 (»Deus está connosco« A guerra de extermínio alemã no leste 1939-1945), páginas 31 e seguintes. Referência: processo de julgamento criminal da Alemanha Federal Js 4/65 GstA Frankfurt/Main, ficheiros russos, Volume 1. Segue-se a minha tradução do texto alemão, que por sua vez é uma tradução do original em língua russa.


[…]A comissão de peritos em medicina forense, composta pelo professor Voronyj Ju. e os médicos Stoliza, B., Iskra F.I., Skalkij M.N., na presença do Representante da Comissão Estatal Extraordinária, Candidato em Direito Vjel’nikov D.G, dos membros do Comité de Apoio Regional de Zhitomir, Reverendo Padre Feodot Tysljukjevich, Kharchenko, K.S., Coronel Shapovalov, Roshanchuk N.M., e um grande número de habitantes locais, estabeleceram que os ocupadores alemães fascistas e os seus ajudantes abateram a tiro habitantes locais nos seguintes lugares:
1) 500 metros a sul da fábrica de Dovshik, que se encontra na floresta a 10 quilómetros da cidade de Zhitomir, foram encontrados dois locais de fuzilamento e enterramento de cadáveres. Primeiro foram encontrados dois locais ao longo do caminho que conduz da estrada N.-Volynsk ao quilómetro 9 a partir da fábrica Dovshik. Foram encontradas seis sepulturas, das quais foram desenterrados 962 cadáveres humanos de ambos os sexos e várias idades. Logo, no caminho que conduz da fábrica até à estrada no quilómetro 8, foi encontrada uma área de dois hectares que estava vedada por arame com uma altura de três metros que tinha sido entrelaçado com grossos ramos de carvalho para impedir a vista de fora. Nesta área foram encontradas 13 sepulturas, com as medidas de 16 x 2 x 2,5 metros. Quando as sepulturas foram abertas encontrou-se um cadáver masculino, os restos de um cadáver parcialmente devorado pelo fogo e grande número de ossos humanos. Durante a exumação notava-se um forte cheiro a cadáveres.
As testemunhas presentes na exumação afirmaram que no local vistoriado cidadãos civis tinham sido abatidos e também enterrados no decurso dos anos 1941/42. Em Julho de 1943 esta área tinha sido vedada, e tinham sido colocados guardas. As testemunhas tinham observado que durante um mês tinha saído fumo do local vedado, que tinha um cheiro extremamente desagradável e se tinha espalhado de tal forma que ainda se lhe podia sentir nas casas da fábrica de Dovshik, a 500 – 600 metros do local.
A comissão de peritos em medicina forense chegou à conclusão de que na referida área tinham sido enterrados e logo desenterrados e queimados cadáveres humanos, em número não inferior a 20.000.
2) A sul da estrada de N.-Volynsk, a 8 quilómetros de Zhitomir, na floresta ao longo do caminho que conduz à aldeia de Barachevka, foram encontradas 28 sepulturas e duas valas descobertas. Quando se abriu as sepulturas foram encontrados 14.110 cadáveres. Foi encontrada uma sepultura inteira cheia de corpos que estavam completamente despidos. Numa das sepulturas foi encontrado o cadáver de uma mulher que tinha uma liga com uma grande cruz vermelha no seu braço. Uma grande parte dos corpos tinha as suas mãos atadas com arame ou tiras.[meu ênfase – RM] Numa das valas descobertas foram encontrados quatro cadáveres bem conservados, 3 homens e uma mulher. Nas roupas do cadáver masculino foram encontrados papéis com o nome de Vlassov, F.I., residente em Zhitomir, Proviantskaja 13/14. A esposa do homem morto, Sra. Vlassova A.C., afirmou que ele tinha sido detido pela Gestapo em Dezembro de 1943 sob suspeita de ter escondido judeus e guardado uma espingarda no seu apartamento.[…]


3. Extracto de um Comunicado da Comissão Estatal Extraordinária Soviética sobre a Liquidação de Prisioneiros de Guerra e Civis em Smolensk e Arredores de Julho de 1941 a Setembro de 1943 (minha tradução da tradução alemã do russo, que se encontra no livro de Paul Kohl, Der Krieg der deutschen Wehrmacht und der Polizei 1941 – 1944 (A guerra da Wehrmacht e da polícia alemãs 1941 – 1944), páginas 269 e seguintes)

[…]O material examinado, o número de cadáveres nas valas em massa abertas e o exame dos locais de valas em massa levam à conclusão de que nos locais examinados da cidade de Smolensk e seus arredores o número de cidadãos soviéticos que foram assassinados ou morreram durante a ocupação temporária alemã excede os 135.000. Este número distribui-se pelos vários locais como segue:

1. Na área da antiga estação de rádio de Smolensk junto à vila de
Gedeonowka cerca de 5 000 cadáveres
2. Na área das aldeias de Magalenchina e Vjasowenka 3 500 "
3. Na área do jardim de frutos e vegetais junto à aldeia de Readowka 3 000 "
4. Na área do jardim (de pinheiros) Pionerski 500 "
5. Na área da Casa do Exército Vermelho 1 500 "
6. Na área do grande campo de concentração 126 45 000 "
7. Na área do pequeno campo de concentração 126 15 000 "
8. Na área de Medgorodka 1 500 "
9. Na área da aldeia de Jassenaja 1 000 "
10. Na área do antigo hospital alemão para prisioneiros de guerra e da residência de estudantes da Universidade de Medicina, Avenida Roslawl 30 000 "
11. Na área da serralharia e da fábrica de licores 500 "
12. Na área do campo de concentração junto à aldeia de Petcherskaja 16 000 "
13. Na área da aldeia de Rakitnja 2 500 "
14. Na área da fábrica de aviões 35 à volta da estação ferroviária de Krasny
Bor, do terreno estatal Passowa, da aldeia de Alexandrovskaja, do aqueduto, dos estabelecimentos de Serebrjanka e Dubrovenka 12 000 cadáveres


São estes apenas três de entre os muitos locais de matança investigados pelos soviéticos (segundo o livro de Alan Bullock Hitler and Stalin. Parallel Lives., Londres 1993, página 818 e seguintes, os documentos reunidos pela Comissão Soviética para Investigação dos Crimes Alemães abrangem cerca de dois milhões de páginas), e o relatório soviético sobre cada um destes locais desmente a afirmação de Mattogno/Graf de que «nem os soviéticos nem os polacos encontraram valas em massa com sequer alguns poucos milhares de cadáveres», uma vez que a primeira fonte aponta para, no mínimo, 33.000 corpos na área de Kharkov, a segunda para 14.110 corpos «a sul da estrada N.-Volynsk, a 8 quilómetros de Zhitomir» e a terceira para mais de 135.000 corpos encontrados em valas em massa na área de Smolensk.

É certo que os relatórios soviéticos acima citados podem estar afectados por exageros, tais como os que salienta o historiador alemão Christian Gerlach, a respeito de valas em massa na área de Minsk na Bielorússia, no seu livro Kalkulierte Morde, do qual foram tirados os seguintes extractos.

Nota de rodapé 1471 na página 770 (minha tradução)
O número e o tamanho das valas em massa não é bem claro; apenas algumas foram abertas. Geralmente o seu número em Blagovshchina é dado como sendo de 34 (Rübe e Heuser falaram em 15-18, vide interrogatório referido na nota anterior), das quais, contudo, e contrariamente à descrição de Kohl, página 97, apenas algumas tinham até 50 metros de comprimento, em vez de todas terem tido um comprimento de 60 metros. O seu volume, portanto, era consideravelmente inferior do que 25.000 metros cúbicos (os quais, considerando um máximo de 6 corpos por metro cúbico, teriam correspondido a até 150.000 pessoas chacinadas), mas não pode ser indicado exactamente. Até o tamanho original das valas em massa dificilmente podia ser determinado já em 1944, uma vez que o Destacamento Especial 1005 tinha efectuado trabalhos de terra com máquinas de construção. Vide "A Evidência Recolhida em Minsk", Documento de Nuremberga USSR-38, Arquivos Federais em Freiburg 16030; dados sobre Trostinets no Arquivo Central do Estado em Minsk 845-I-62, páginas 1-48, especialmente página 1, e interrogatório sem data de W.A. Buzewich, páginas 27-32; Acta da Cidade de Minsk datada de 13.08.1944, Arquivos Especiais Moscovo 1525-1-1473, páginas 309-316, ver também: Beluga (editor), páginas 224-226.


Nota de rodapé 1472 nas páginas 770/771 (minha tradução)
Havia um número de outros locais de extermínio nas redondezas de Minsk. Além das sepulturas de Glinishchi no noroeste com cerca de 66.000 e em Urechye com cerca de 12.500 (oficialmente 30.000) prisioneiros de guerra destruídos havia a vala de Drosdy (10.000 mortos civis) e as sepulturas de Petrashkevichi (14.000 a 20.000 mortos civis; oficialmente 25.000 segundo uma fonte, 54.000 segundo outra) e em Tuchinka, no cemitério judaico, no parque cultural, etc. Vide supra e Kohl, nota 132, páginas 264 e seguintes. As referidas diferenças entre a minha estimativa e as cifras oficiais resultam parcialmente – não sempre – das medidas das valas em massa, desde que conhecidas. Relativamente a outros locais de matança em Minsk vide Kohl, páginas 77-90; Schlootz, página 75; interrogatório de Eberhard Herf em 26.12.1945, ZStl 202 AR-Z 184/67, Volume 1, página 67.


Páginas 852 e seguintes (minha tradução)
Na área de Minsk o maior fuzilamento de prisioneiros de guerra soviéticos em solo bielorusso teve lugar em Janeiro de 1943. Segundo os depoimentos de várias testemunhas, especialmente o executor alemão Alois Heterich, o 3º Batalhão do Regimento de Infantaria 595 foi descarregado em Minsk em Janeiro de 1943 durante o transporte da 327ª Divisão de Infantaria para Krasnodar, e tinha ordem para abater 10.000 pessoas, na sua maioria prisioneiros de guerra do campo na estação de comboios de mercadoria, a alguns quilómetros de distância, durante três noites no fim de Janeiro e início de Fevereiro de 1943. Só o pelotão de Heterich terá executado 1.500 pessoas. Alegadamente houve mais chacinas em massa com camiões de gaseamento nos próximos dias. As vítimas (entre elas, segundo o resultado da exumação, também um número reduzido de civis, incluindo mulheres) foram abatidas com um tiro na nuca e portavam uniformes das forças blindadas soviéticas. O número de mortos na vala em massa de Urechye, 6 quilómetros a leste de Minsk, que as autoridades soviéticas estimaram em 30.000 tendo em conta os depoimentos de testemunhas, era de 12.500 segundo a descrição das valas em massa. [Nota de rodapé: Havia 10 valas em massa com uma área de 24 por 5 metros, onde os corpos foram encontrados em três filas e sete camadas uns encima dos outros. Vide Acta de 13.8.1944, Cidade de Minsk, Arquivo Especial Moscovo 1525-I-473, páginas 309-316; "A Evidência Recolhida em Minsk", Documento de Nuremberga USSR-38, Arquivos Federais em Freiburg 16030.


No entanto, mesmo as estimativas mais baixas que Gerlach faz do conteúdo das valas em massa que menciona ainda apontam para muito mais do que apenas alguns poucos milhares de corpos em cada uma destas valas.

Portanto, será que os relatórios de investigação soviéticos são necessariamente tão inexactos, ou até fraudulentos, como Mattogno/Graf gostariam que fossem?

Uma forma de estabelecer isto consiste em comparar os relatórios soviéticos sobre um dado local de chacina em massa com outra evidência relativa às matanças naquele local, à qual os soviéticos não tinham acesso ou sobre a qual não tinham influência.

Considere-se, por exemplo, a descrição dos corpos nas valas em massa de Kharkov, na primeira das fontes acima citadas:

Nas 13 valas de sepultura abertas em Kharkov e na sua vizinhança imediata foi encontrado um grande número de cadáveres. Na maioria das valas os corpos estavam deitados de forma extremamente desordenada, entrelaçados uns com os outros de maneira fantástica, emaranhados de forma indescritível. Os corpos estavam deitados de tal forma que se pode afirmar que não foram enterrados nas valas comuns, mas amontoados ou arremessados para dentro das valas. Em duas valas no parque florestal de Sokolniki os corpos foram encontrados deitados em filas rectas, com os braços dobrados no cotovelo e as mãos apertadas contra as faces ou os pescoços. Todos os corpos tinham feridas de bala nas suas cabeças. A posição dos corpos não era acidental. Prova que as vítimas foram forçadas a deitar-se com a cara para baixo e abatidas nessa posição.


Aquilo que a comissão considerou provado dada à posição dos corpos, i.e. que as vítimas tinham sido forçadas a deitar-se face abaixo e abatidas nessa posição, também resulta aparente dos depoimentos de dois participantes nas execuções à volta de Kharkov (Karl G., antigo membro do batalhão de polícia 314, e Viktor T., antigo membro do destacamento especial Sonderkommando 4 a) perante autoridades de justiça penal da República Federal Alemã na década de 1960, cuja transcrição e tradução para inglês se encontram na minha mensagem de 25-Jul-2005 11:01 no fórum RODOH. Segue-se a tradução para português:

Karl G.
Os judeus tiveram que se despir e deitar-se junto à aberturas no solo ou dentro das mesmas. As aberturas eram naturais e não valas contra tanques ou outras escavações. Nestas valas of judeus foram abatidos a tiro pelo SD [Sicherheitsdienst – Serviço de Segurança, n.d.t.].


Viktor T.
Recebi ordens de juntar-me ao destacamento de execução. O destacamento de execução, composto por 10 homens, entrou na abertura que ia cerca de 20 metros para dentro da montanha. Os judeus foram conduzidos para dentro em grupos de 20-25 pessoas e tiveram que deitar-se no solo. Foram abatidos com disparos na nuca de pistolas–metralhadoras.


Outra convergência existe entre o número de judeus executado na chamada "Ravina Drobizk" perto de Kharkov segundo a Acta da Comissão Estatal Extraordinária Para A Cidade de Kharkov Para Investigar os Crimes Lá Cometidos, e o número que resulta do depoimento de Phillip F., antigo membro da 297ª Divisão de Infantaria, em 23 de Marco de 1961 perante a Procuradoria da Cidade de Hamburgo. Ambas fontes também são citadas na minha mensagem no fórum RODOH atrás referida. Segue-se a tradução para português:

Acta da Comissão Estatal Extraordinária Para A Cidade de Kharkov Para Investigar os Crimes Lá Cometidos
[...]Segundo dados incompletos, nos meses de Dezembro de 1941 e Janeiro de 1942, perto das fábricas de Rogan, a 8 quilómetros de Kharkov, na chamada "Ravina Drobizk", foram abatidos a tiro mais de 15.000 judeus, habitantes da cidade de Kharkov. Estes crimes monstruosos contra a população pacífica são confirmados pelos depoimentos de testemunhas, o relatório de medicina forense e outro material documental. [...]
Em 14 de Dezembro de 1941 o comandante militar alemão da cidade de Kharkov emitiu uma ordem segundo a qual toda a população judaica devia trasladar-se para a periferia da cidade dentro de dois dias, para as barracas das instalações de uma fábrica de máquinas. Na ordem constava que as pessoas que não obedecessem esta ordem seriam abatidas. Assim, alguns dias depois uma multidão de muitos milhares de pessoas idosas, mulheres e crianças se deslocava através das ruas da cidade em direcção ao local de realojamento. Uma vez que era proibido andar pela cidade depois das 16ºº horas, mas muitos daqueles a serem realojados ainda estavam a caminho nessa altura, o movimento parou. Estas pessoas passaram a noite na rua, sob o frio glacial. Devido a isto muitos morreram já no caminho. [...]


Depoimento de Phillip F.
[...] Foi em meados de Dezembro de 1941, quando passei várias semanas em Kharkov. Ainda me lembro exactamente que foi no dia 15.12.1941 que vi em Kharkov como uma procissão de vários quilómetros de comprimento, de judeus em longas filas com carros de mão e bagagem, se movia da cidade para leste em direcção à fábrica de tractores. A fábrica de tractores se encontra a cerca de 15 quilómetros do centro da cidade. Entre os judeus havia homens, mulheres e crianças. Alguns carros eram puxados por pequenos cavalos que às vezes caíam sob o peso. Encima dos carros havia às vezes crianças pequenas, mulheres e pessoas doentes, sentados na bagagem. O frio era de cerca de 15 graus (centígrados) abaixo de zero. Vi os judeus a passar durante uma hora inteira, e ainda a procissão não terminava. Estimo o número de judeus que nesse dias foram conduzidos de Kharkov para a fábrica de tractores em cerca de 15.000 pessoas.
Ainda me lembro que a procissão estava segredada e guardada por homens de uniforme. Já não consigo lembrar-me, contudo, se estes eram membros das SS ou polícias auxiliares ucranianos de uniforme. Não observei nenhuns maus tratos aos judeus durante este processo. Quando no próxima dia conduzi com o meu carro de Kharkov para Tshugev, utilizei a mesma estrada que os judeus tinham utilizado no dia anterior. À direita e à esquerda da estrada vi várias vezes cadáveres que eram da procissão dos judeus. Não posso dizer se estes judeus tinham morrido de maus tratos ou sido abatidos a tiro, ou se tinham sucumbido à exaustão. Os cadáveres estavam lá abandonados e ninguém se preocupava com eles.
A razão pela qual sei exactamente que os judeus foram conduzidos à fábrica de tractores em 15.12.41 é que naquela altura havia cartazes em língua alemã e russa pendurados em todo lado na cidade, em que os judeus eram chamados a reunir-se num certo local da cidade a fim de serem levados para fora. Já não me lembro qual foi o serviço que colocou esses cartazes. Mas ainda lembro exactamente que os cartazes referiam o dia 15.12.1941 como sendo o dia da congregação. [...]


As ênfases nas citações supra são minhas e destacam as semelhanças entre a informação contida nestas duas fontes, que são tão independentes uma da outra como os depoimentos de Karl G. e Viktor T. são independentes do relatório dos Factos apurados pela Comissão de Peritos Médico-Legais, acima citado, relativamente às valas em massa na área de Kharkov. Estas convergências tornam improvável a hipótese de que as comissões de investigação soviéticas tenham manipulado os seus relatórios, e as duas fotografias relativas à "Drobitski Yar perto de Kharkov" mostradas na minha mensagem de 25-Jul-2005 11:01 no fórum RODOH reforçam a conclusão de que, ao menos neste caso, os soviéticos não recorreram a uma alegada prática manipulativa da qual Mattogno/Graf os acusam nas páginas 218 e seguintes do seu livro, a de fotografar um número relativamente reduzido de corpos encontrados num local de matança desde vários ângulos por forma a criar a impressão de que o número de corpos encontrados era muito maior. (Não faz sentido, por acaso, tomar o número de corpos fotografados como indicação do número de corpos encontrados. É difícil ter havido uma investigação de chacina em massa mais publicitada e utilizada para efeitos de propaganda do que a investigação alemã da massacre soviética de prisioneiros de guerra polacos em Katyn, e no entanto estas fotografias, que parecem ser a maior parte das 80 fotografias que, segundo Mattogno, acompanhavam o relatório de investigação dos nazis, parecem mostrar no máximo algumas poucas centenas dos cerca de 4.000 corpos encontrados.)

No que respeita às valas em massa na área de Minsk mencionadas por Gerlach, quem duvidar que houve matanças com dezenas de milhares de vítimas naquela área durante a ocupação alemã apenas precisa de ler o memorando secreto datado de 31 de Julho de 1942, enviado por Kube, o governador comissionado da Ruténia Branca, para o Gauleiter Hinrich Lohse, governador comissionado dos Territórios Orientais, ou a tradução daquele documento apresentada, junto com outra evidência, no julgamento das Einsatzgruppen em Nuremberga. As chacinas em massa na área de Minsk não estavam de forma alguma concluídas quando aquele memorando foi escrito.

No que respeita ao relatório da comissão de investigação soviética na área de Zhitomir, a evidência independente corroborativa de que tenho conhecimento – e que abrange apenas uma parte do período de ocupação nazi naquela área – provém dos Relatórios de Situação Operacional URSS dos Einsatzgruppen, em que se basearam as alegações adiante traduzidas, incluídas na acusação do "Caso dos Einsatzgruppen" em Nuremberga:

(A) Durante o período de 22 de Junho de 1941 a 3 de Novembro de 1941, nos arredores de Zhitomir, Novo Ukrainka e Kiev, o Einsatzgruppe C assassinou mais de 75.000 judeus.

(B) Em 19 de Setembro de 1941, em Zhitomir, o Einsatzgruppe C assassinou 3.145 judeus e confiscou a sua roupa e objectos de valor.

(C) Durante o período de 22 de Junho de 1941 a 29 de Julho de 1941, nos arredores de Zhitomir, o Sonderkommando 4a assassinou 2.531 pessoas.


Relativamente às valas em massa na área de Smolensk, mencionadas pela Comissão Estatal Extraordinária soviética, desafortunadamente não tenho à minha disposição evidência independente das investigações soviéticas que permita sequer a verificação por alto da exactidão dos dados soviéticos que fiz nos outros casos, fora do que sei em geral, principalmente através de fontes alemãs utilizadas pelos historiadores Christian Streit e Christian Gerlach, sobre o tratamento que os nazis deram aos prisioneiros de guerra soviéticos, que perfaziam uma grande parte das vítimas encontradas na área de Smolensk.

Penso que, a fim de fazer uma avaliação mais ou menos fiável do grau em que os relatórios das comissões soviéticas sobre a investigação de locais de matança nazis podem ser considerados fiáveis, seria necessário comparar os respectivos relatórios de investigação soviéticos com evidência independente dos mesmos relativamente ao maior número possível de locais de matança nazis. Este tipo de trabalho de pesquisa histórica – do qual o artigo de Nick Terry, Mass Graves in the Polesie [tradução para português], é um brilhante exemplo – não é, desde logo, o que se pode esperar de pessoas como Mattogno & Graf, que parecem felizes em concluir, com base num um único alegado exemplo (o do campo de Osarichi, discutido nas páginas 218 e seguintes do seu livro; no que respeita a Babi Yar fazem uma barafunda ridícula, seguida por uma conclusão non-sequitur do tipo "poderiam ter feito, deveriam ter feito, portanto teriam feito" derivada do facto de os soviéticos terem publicado fotografias da escassa evidência física que sobreviveu à operação de encobrimento dos nazis), que os relatórios de investigação soviéticos em geral tendem a enfermar de manipulações e conter cifras e outras conclusões baseadas em pouca ou nenhuma evidência.

Como era de esperar neste contexto, Mattogno/Graf vêem manipulações não apenas do lado soviético, mas também do lado dos próprios assassinos nazis, que supostamente exageraram desmedidamente o tamanho das suas massacres e até inventaram algumas. Mattogno/Graf fazem tais alegações não apenas em relação a Babi Yar (vide os artigos de Sergey Romanov a este respeito ou as respectivas traduções para português: Porque é negação e não revisionismo, Partes III a IV: negadores e o massacre de Babiy Yar III(1), IV (2), V (3), VI (4) ), mas também (páginas 223 e seguintes) no que respeita ao massacre de 5.090 judeus pelo Einsatzkommando 3 em Marijampole em 1 de Setembro de 1941 (partilhando assim a vergonha da pesquisa desleixada de Germar Rudolf, salientada no artigo de Sergey Romanov Deniers and the graves of Marijampole (tradução para português: Porque é negação e não revisionismo. Parte II: negadores e as valas de Marijampole)) e o massacre de 10.000 a 12.000 judeus em Simferopol (páginas 210 e seguintes). A última destas alegações, em relação à qual Mattogno cita o advogado de defesa de Manstein, Reginald T. Paget, é abordada no meu artigo The Simferopol Massacres [versão em português].

[Tradução adaptada do meu artigo Neither the Soviets nor the Poles have found any mass graves with even only a few thousand bodies … no blog Holocaust Controversies]

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Nazistas eram os outros

Campo de concentração de Dachau: memoriais não garantem conscientização sobre o passado nazista

Grande parte dos alemães acredita que sua própria família não compactuou com o nazismo e o holocausto. Pesquisador investiga discrepância entre saber histórico e memória familiar.

Um quarto da população adulta do Terceiro Reich ajudou os perseguidos, 13% participaram ativamente da resistência ao nazismo, 17% sempre se pronunciaram sobre as injustiças cometidas, apenas 1% dos alemães compactuou de fato com as atrocidades do regime, e anti-semita mesmo era apenas 3% da população. Isso foi o que revelou uma detalhada e representativa pesquisa de opinião realizada entre famílias alemãs. Se a história no nazismo fosse escrita de forma subjetiva, a partir das memórias familiares dos alemães, o holocausto não passaria de uma ficção.

Auto-indulgência – Com base numa enquete encomendada ao instituto alemão de pesquisa Emnid, Harald Welzer, psicólogo social do Instituto de Ciências Culturais da Universidade de Essen, constatou uma nítida discrepância entre as recordações familiares e o trabalho coletivo de memória. "Enquanto a memória histórica oficial enfatiza o holocausto e os crimes dos alemães, a memória do cotidiano cultiva a imagem de que os nazistas eram os outros, nunca os membros da própria família", afirma o estudioso em artigo divulgado pelo diário Süddeutsche Zeitung.

Informação não falta – Sobretudo os netos de quem viveu durante o Terceiro Reich costumam reinterpretar as histórias familiares, destacando a resistência cotidiana e a coragem civil dos avós. O extermínio dos judeus tem apenas um papel marginal nas recordações familiares. Na avaliação de Welzer, isso não significa que os alemães ignorem o passado nazista ou que a formação histórica adquirida na escola seja insuficiente.

Peso emocional – Para o psicólogo, o perigo está justamente nesta fixação no saber cognitivo: "A consciência histórica abrange mais do que o mero armazenamento de datas e números de vítimas. A dimensão emocional da representação do passado costuma ser extremamente subestimada nas aulas de história", afirma Welzer. "Se a meta for proporcionar um aprendizado moral, e não apenas cognitivo, é um erro fixar-se apenas na transmissão de saber." O problema é que a formação política e moral nas escolas alemãs está dissociada de uma prática social e escolar, constata o estudioso.

Alemães como vítimas – Cerca de 65% dos entrevistados declararam que seus familiares sofreram muito na guerra e 63% acreditam que eles viveram este período com espírito comunitário, um argumento estilizado da propaganda nazista que aparentemente sobrevive até hoje. Harald Welzel, co-autor do livro Opa war kein Nazi (Vovô não era nazista, ed. Fischer, 2002), acredita que o papel de vítima dos alemães possa se cristalizar como a versão dominante da história do Terceiro Reich, uma versão em que os "alemães" também teriam sofrido horrores por causa dos "nazistas".

Inutilidade dos memoriais – "Desta forma, é provável que a memória coletiva alemã acabe eliminando Auschwitz", conclui Welzel. "A onipresença dos memoriais ao holocausto não contradiz esta tendência. Quando a memória é fixada em monumentos, ela se torna supérflua. Como Robert Musil dizia, memoriais são invisíveis: eles não atrapalham o trânsito que passa em torno deles sem levá-los em consideração."

(sm)

Fonte: Deutsche Welle
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,634692,00.html

Os "Piratas" da resistência

Os "Piratas" da resistência

Piratas Edelweiss: Jean Jülich à direita, com o violão

Embora ainda considerados pela história oficial criminosos comuns, os Piratas Edelweiss escreveram um capítulo na história da resistência ao nazismo. Jovens e avessos ao regime, eles sonhavam, entre outros, com o longínquo Rio de Janeiro.

A origem do nome não é certa. O que se sabe é que o movimento juvenil conhecido como Os Piratas Edelweiss (Edelweiss Piraten) não teve final feliz. Em novembro de 1944, a Gestapo enforcou 13 adolescentes nas dependências de uma residência em Colônia. Os adeptos daquilo que simbolizava uma alternativa à Juventude de Hitler (Hitler Jugend), sabotadores do regime nazista, arriscaram não apenas serem detidos e torturados, mas suas próprias vidas.

Hoje, 60 anos depois, a história oficial ainda registra os jovens Piratas Edelweiss como meros ladrões e criminosos. Seus atos de resistência, embora ignorados pelas autoridades na Alemanha, já obtiveram o reconhecimento até mesmo do Estado de Israel. Em 1984, o Memorial Yad Vashem prestou uma homenagem a Jean Jülich, um dos sobreviventes do grupo.

Recuperando registros da memória

Jean Jülich

Enquanto as autoridades em Colônia debatem sobre a possibilidade de reescrever a história da resistência feita pelos Piratas Edelweiss, Jülich já publicou suas memórias há cerca de um ano, sobre as quais se produziu um documentário –...Piratas Edelweiss, eles são fiéis. Além disso, no CD Foi em Xangai bandas de Colônia interpretam canções dos Piratas. Um DVD e um livro sobre o assunto completam o projeto. Todas as obras são fruto de um trabalho árduo, uma vez que todo o material foi recolhido através da lembrança dos sobreviventes.

Estima-se que havia, nos anos que antecederam o fim da Segunda Guerra Mundial, cerca de três mil Piratas Edelweiss vivendo em Colônia e mais centenas de outros nas cidades vizinhas. Estes jovens não estavam aliados a nenhuma facção política ou organização religiosa, nem tampouco o movimento possuía uma estrutura organizada.

O que tinham em comum era não se identificarem com a ideologia propagada pela Juventude de Hitler, após a ascensão dos nazistas nos anos 30. Eram, em princípio, um grupo de adolescentes rebeldes como outro qualquer. A diferença é que viviam sob um sistema extremamente autoritário, sendo que muitos deles acabaram pagando o preço disso com suas próprias vidas.

Subcultura própria

Piratas Edelweiss

Segundo Nicola Wenge, historiadora do Centro de Documentação sobre o Nazismo em Colônia (cuja sede fica em um dos antigos quartéis da Gestapo), "os Piratas Edelweiss criaram sua própria subcultura nas regiões do Reno e do Ruhr, ao usar determinado estilo de roupas, cantar suas baladas românticas e, mais tarde, canções antinazistas".

Ao contrário do que determinavam as normas do regime, o movimento permitia a interação entre garotos e garotas, que viajavam juntos pela região, levando com freqüência um violão e uma gaita. "Por esta razão, eram perseguidos pela Juventude de Hitler, pela polícia e pela Gestapo. E até mesmo pela Justiça, que os tratava como criminosos e delinqüentes sexuais", conta Wenge.

Sabotagem e riscos

Piratas Edelweiss

Quando os aliados bombardearam Colônia e a ordem pública foi se desestabilizando aos poucos, os Piratas Edelweiss começaram a sabotar fábricas de munição e a colocar, por exemplo, água com açúcar nos tanques de gasolina de carros pertencentes aos nazistas. Além disso, distribuíam folhetos de propaganda contra o regime. Em 1944, porém, vários adeptos do movimento foram presos. Jülich, que na época tinha apenas 15 anos, passou quatro meses preso em uma cela em Colônia, tendo sido interrogado e torturado pela Gestapo. Outros 13 companheiros dele foram enforcados, o mais jovem deles tinha apenas 16 anos.

Culpa coletiva e exceções

Para a historiadora Wenge, os Piratas Edelweiss deveriam ser reconhecidos oficialmente como vítimas do nazismo, embora ela alerte para uma certa cautela no uso do termo resistência neste contexto. "Eu descreveria o movimento como uma conduta de oposição", opina Wenge, lembrando porém que distribuir panfletos, disseminar slogans contra o regime nos muros da cidade ou remover bandeiras nazistas eram ações que exigiam uma boa dose de coragem.

O reconhecimento do que foi feito pelos Piratas Edelweiss toca mais uma vez em um tema sensível na Alemanha: a culpa coletiva pelos horrores cometidos durante o holocausto da Segunda Guerra. Enquanto muitos defendem a idéia de que é preciso reaver a memória sobre o que foi um movimento de resistência ao nazismo, outros aconselham cautela em relação à tendência de supervalorizar comportamentos que foram uma exceção, se comparados ao da maioria da população na época.

Rumo ao "Rio de Schaniro"?

Rio de Janeiro: aportou aqui algum Pirata Edelweiss?

O desejo de abandonar a Alemanha nazista foi certamente um dos elementos que acompanharam estes adolescentes durante o período. No porão da casa onde estiveram presos os Piratas Edelweiss, pode-se ler a inscrição Rio de Schaniro encravada na parede. "Supõe-se que se trata de uma referência a Quando as Sirenes Ressoam, uma das várias canções que falam de lugares longínquos", diz Jan Krauthäuser, um dos responsáveis pelo projeto de produção do CD Foi em Xangai.

"Esta postura não é atípica na história da cultura alemã e durante a repressão, através da ditadura nazista, foi ainda mais alimentada. Sabemos de várias vítimas do nazismo, que durante ou depois da guerra procuraram outros lugares para viver. Mas se, concretamente neste caso, há ex-Piratas Edelweiss que chegaram a ir para o Rio ou para outros lugares do Brasil não sabemos. Para nós, seria muito interessante entrar em contato com possíveis Piratas Edelweiss brasileiros, se é que eles existem", completa Krauthäuser.

jm / sv

Fonte: Deutsche Welle
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,1401132,00.html

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Declaração de Brasil, Argentina e Venezuela sobre Discriminação e Intolerância na Costa do Sauípe

Declaração dos Presidentes da República Argentina, da República Federativa do Brasil e da República Bolivariana da Venezuela de condenação ao racismo, à discriminação e intolerância religiosa, à discriminação racial e a outras formas correlatas de intolerância.

Os Presidentes da República Argentina, da República Federativa do Brasil e da República Bolivariana da Venezuela, reunidos na Costa do Sauípe, Brasil, no dia 16 de dezembro de 2008: Observam com grande preocupação que, no início do terceiro milênio, um número imenso de seres humanos continuam sendo vítimas do racismo, da discriminação e da intolerância religiosas, em particular do anti-semitismo e do antiislamismo da discriminação racial, e de outras formas correlatas de intolerância, e que ressurgiram ou persistem ideologias e práticas racistas e discriminatórias em diversas regiões do mundo.

Reafirmam os princípios de igualdade e não-discriminação, reconhecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Declaração Americana sobre os Direitos e Deveres do Homem, e reconhecem a importância fundamental do pleno cumprimento das obrigações derivadas da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial.

Por esse motivo, os Presidentes declaram sua mais enérgica condenação ao racismo, ao anti-semitismo, ao antiislamismo, à discriminação racial e a outras formas correlatas de intolerância, e renovam seu compromisso de continuar trabalhando, em âmbito nacional, regional e internacional, para fortalecer os mecanismos de promoção e proteção dos direitos humanos, a fim de assegurar seu pleno respeito, sem distinção de raça, cor, sexo, religião, opiniões políticas ou de qualquer outra índole.

Fonte: Portal Fator Brasil(19.12.2008)
http://www.revistafator.com.br/ver_noticia.php?not=62972

sábado, 20 de dezembro de 2008

Porque é negação e não revisionismo. Parte VII: relatórios dos Einsatzgruppen

Porque é negação e não revisionismo. Parte VII: outras patéticas objeções aos relatórios dos Einsatzgruppen

Nós já vimos em seu livro sobre Treblinka como Mattogno e Graf tentaram desacreditar os relatórios dos Einsatzgruppen (e fracassaram miseravelmente).

Esta postagem endereçará um par de "numéricos" argumentos daquele livro.

Podemos considerar que a parte sobre a Lituânia foi discutida.

Penso que deveria apenas mencionar que de acordo com a mensagem no. 412 de 09.02.1942, das 138.272 pessoas mortas pelo EG-A, 55.556 eram mulheres e 34.464 eram crianças.

Apenas idiotas e negadores argüirão que isto era qualquer forma de ação anti-partisan.

Na realidade, destes 138.272 pessoas apenas 56 eram partisans, e 136.421 - judeus.

Agora vamos examinar as afirmações de Mattogno sobre a Letônia.

Ele cita o Einsatzgruppe A, Gesamtbericht vom 16 Oktober 1941 bis 31 Januar 1942 como segue:
O número total de judeus na Letônia no ano de 1935 era de: 93.479 ou 4.7% do total da população. [...]

No registro das tropas alemãs ainda havia 70.000 judeus na Letônia. O resto tinha fugido com os bolcheviques. [...]

Mais adiante até outubro de 1941, cerca de 30.000 judeus foram executados por este Sonderkommando. Os judeus restantes, ainda indispensáveis devido a importância econômica, foram recolhidos pros guetos. Seguindo o processo dos casos de crimes na base de não usar a estrela judaica, negócio ilícito, furto, fraude, mas também na contagem do perigo preventivo de epidemias nos guetos, mais execuções foram feitas até depois. Assim, em 9 de novembro de 1941, 11.034 foram executados em Dünaburg, 27.800 em Riga no começo de dezembro de 1941 por uma operação ordenada e realizada pelo Superior das SS- e Chefe de Polícia, e 2.350 em Libau no meio de dezembro de 1941. Desta vez houve judeus letonianos nos guetos (à parte dos judeus do Reich) em:

Riga aproximadamente 2.500
Dünaburg " 950
Libau " 300
(Nota: havia 300 em Libau, não 3.000, como digitado incorretamente na versão online; mas os cálculos são baseados em cima do número correto).

Mattogno então resume os dados e chega a seguinte conclusão:
Mas se adicionarmos juntos os números daqueles abatidos (30.000 + 41.184 =) 71.184 a aqueles que ainda viviam nos guetos (3.750), chegamos a 74.934 judeus, um número que é maior que o número alegadamente presente no registro dos alemães dentro da Letônia. Numa tabela que resume o relatório e leva o título de "Número de execuções feitas pelo Einsatzgruppe A além de 1 de fevereiro de 1942," o número daqueles abatidos é indicado como sendo 35.238, para os quais são adicionados 5.500 judeus mortos "por pogroms," mas "de 1 de dezembro de 1941;"[590] logo temos 40.738 vítimas judias. Embora esta cifra inclui um adicional de 5.500 judeus mortos em pogroms não mencionados no relatório, o número total daqueles mortos é de longe mais baixo: 40.738 em oposição a 71.184.
Aliás, o mapa de caixão de Stahlecker é baseado nos mesmos dados, obviamente.

Então, há um erro no relatório? Sim, há um.

Sabemos que 1.134 judeus foram mortos em Duenaburg/Dvinsk/Daugavpils pelo EG-A naquela ação particular. "11.034" é um erro tipográfico (I. Altman, Zhertvy nenavisti, Moscou, 2002, pp. 238, 239; a fonte de Altman é GARF, f. 7021, op. 148, d. 215, l. 48). Este erro provavelmente é originário do rascunho do relatório das operações do EG-A em dezembro de 1941 (o mapa de caixão é um apêndice para este relatório), e é assim desse modo presente em dois documentos. Não era uma inflação deliberada, como a soma errada mostra.

Sem este erro temos cerca de (30.000+1.134+27.800+2.350=) 61.284 vítimas judias. Mais havia 3.750 judeus vivos. Também note o idioma: "Seguindo o processo dos casos de crime ... mais execuções foram feitas até depois. Assim, em 9 de novembro de 1941, 11.034 foram executados em Dünaburg...". Penso que isto implica que eles não listararam necessariamente todas as ações, apenas as maiores delas.

O próximo argumento é que o resumo do número de execuções pelo EG-A (incluindo pogroms) foi de 40.738 em vez de 71.184 (ou 61.284, corrigido por Duenaburg).

O argumento é auto-refutável. Relendo o título: "Número de execuções feitas pelo Einsatzgruppe A além de 1 de fevereiro de 1942". "Número de execuções feitas pelo Einsatzgruppe A...". Agora relendo o relatório: "27.800 em Riga no começo de dezembro de 1941 por uma operação ordenada e conduzida pelo Superior das SS - e Chefe de Polícia". "Ordenada e feita pelo Superior das SS - e Chefe de Polícia". O Superior das SS - e Chefe de Polícia e seus homens não eram do EG-A. Sim, é fácil assim. No relatório eles estavam listando informações gerais até sobre execuções não conduzidas por eles mesmos, mas o resumo pertence apenas ao Einsatzgruppe A.

Isto é tudo, pessoal.

Mas espere, nosso amigo, o Moonbat, quer dizer alguma coisa:

Mas não é fato que os relatórios dos EG contém erros tipográficos minando a história inteira do Holocausto? Você sabe, talvez 2.780 judeus não foram abatidos em Riga, e sim 27.800? (Eu penso que nenhum foi abatido e tudo isto são mentiras judias, mas pela segurança do argumento...)
Bem, o que eu posso dizer? Tudo é possível. Mas ninguém precisa de evidência para afirmar que este ou aquele número é um erro tipográfico, não de outra forma. Além do que, alguém pode sempre estabelecer a exatidão dos dados por checagem cruzada com outros pedaços de evidência. Considere o que o Prof. Richard Evans tem a dizer em seu relatório do julgamento de Irving:
Além do mais, Irving na sua principal narrativa em Goebbels: Mastermind of the ‘Third Reich’(Goebbels: cérebro do 'Terceiro Reich'), fracassou em esclarecer a seus leitores sobre o segundo massacre dos judeus de Riga que ocorreu em 8 de dezembro de 1941. Apenas em suas notas-de-ropapé ele faz reconhecer que o Einsatzgruppe A relatou que em início de dezembro de 1941 um total de 27.800 judeus foram executados em Riga. Entretanto, Irving imediatamente lança dúvidas sobre estas cifras, afirmando que elas são ‘possíveis numa exageração’.655 Já as dúvidas de Irving não são confirmadas por outras fontes. A corte em Hamburgo em 1973 estabeleceu que entre 12.000-15.000 judeus foram assassinados em 8 de dezembro de 1941, trazendo um número total de judeus mortos pelos nazistas em Riga entre 30 de novembro de 1941 e 8 de dezembro de 1941 de entre 25.000-30.000. 656 Usando vários métidos para calcular as vítimas em Riga, o historiador Andrew Ezergailis também chegou certamente a cifra de cerca de 25.000 judeus mortos. 657

[...]

655 Irving, Goebbels, p. 645, nota 42.
656 IfZ, Gh 02.47/3, Urteil des Schwurgerichts Hamburg in der Strafsache gegen J. und andere, (50) 9/72, vom 23.2.1973.
657 A. Ezergailis, The Holocaust in Latvia 1941-1944(O Holocausto na Letônia 1941-1944) (Riga, 1996), p. 261.
Eu devia também assinalar que Mattogno e Graf deviam saber acerca deste erro tipográfico. É mencionado em numerosas fontes - no livro de Altman estes itens de notícias (no qual o real número é citado), H.-H. Wilhelm, um dos co-autores de Die Truppe des Weltanschauungskriege, como relatado aqui, e também na introdução de Rudolf para Dissecting the Holocaust(Dissecando o Holocausto).

Então, agora que suas objeções foram refutadas (e estou certo que eles apresentaram o melhor que eles tinham), Mattogno e Graf aceitarão os números de judeus assassinados e tudo que eles implicam? Ou eles sonharão com outras desculpas? Penso que a resposta é auto-evidente.

[Eu desejo agradecer a Nick pelo auxílio generoso.]
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Com esta postagem eu conclui minha contribuição com estas séries. Roberto continuará o trabalho, examinando vários outras argumentos falaciosos. Obrigado por sua atenção.

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Próximo >> Parte VIII: Os Massacres de Simferopol

Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Sergey Romanov
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2006/08/thats-why-it-is-denial-not_115488858935311686.html
Tradução: Roberto Lucena

Ver também: Técnicas dos negadores do Holocausto

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