quarta-feira, 30 de maio de 2012

Crimes de Ódio na Internet (áudio)

Sugeri mais de uma vez ao pessoal que chega com dúvidas sobre o problema do título do post, e também pros que começam a "bancar justiceiros" ou se meter a "virar heróis", que ouvissem esse áudio inteiro do post antes de sair por aí fazendo besteira e criando problemas.

O motivo da sugestão se deveu ao fato de que muita gente fazia denúncias aleatoriamente na rede e com certa frequência chegavam perguntando coisas banais que elas mesmas poderiam procurar por esse tipo de informação sozinhas.

Aproveitando o post e o assunto, outro ponto que sempre chamou atenção é sobre o baixo conhecimento dessas pessoas em relação ao problema (neonazismo, antissemitismo, segunda guerra, nazismo, fascismo, racismo). Boa parte "sabe" vagamente do que se trata, ou porque viram algum filme ou reportagem na TV, e geralmente acabam indo em busca de informações em sites de internet (geralmente trombando com o primeiro site dos ditos "revisionistas" que pinta pelo caminho), ao invés de procurarem ler um livro de algum historiador de peso sobre o assunto, algo que é totalmente acessível (biblioteca e afins) se a pessoa não quiser seguir a linha do "aprender por "osmose" (vulgo "fazer de conta que aprendeu algo porque ouviu terceiros falando sobre o assunto").

Espero que a crítica acima não seja levado a mal ou negativamente, até porque não compartilho (tampouco compactuo com a mesma) da ideologia predominante na grande mídia brasileira que pra fazer oposição ao governo ou mesmo atacar o país, tenta achincalhar o país e minar o moral e a autoestima do povo pra que o mesmo se sinta diminuído. Mas a observação feita acima não é mera bobagem, preconceito ou implicância, mas sim uma constatação séria porque penso que não há espaço pro combate desse tipo de extremismo e racismo com um conhecimento tão vago, superficial ou distorcido sobre o assunto (e às vezes nem isso ocorre) guiado por um intuito de "boa intenção".

Em todo caso, creio eu que o vídeo abaixo esclarecerá um pouco (ou muito) o problema.

Segue abaixo um vídeo com o áudio de uma palestra dada em 2007 na Fierj, mais ou menos na época que começou a repercutir com mais força na imprensa a "explosão" de crimes virtuais em decorrência do mau uso do Orkut por parte dos usuários, em decorrência também do mau funcionamento do site e de seu suporte (o Orkut é uma rede social do Google em franco declínio que foi um dia uma "febre" no Brasil), onde um delegado da PF explica detalhadamente como agem e atuam esses bandos envolvidos com esse tipo de doutrina, e como a PF(Polícia Federal) atua sobre isso.

Pro pessoal que quer fazer "arte" na rede e de quebra criar inúmeros problemas decorrentes desse tipo de ação desastrosa (bem intencionada ou não), é bom escutar o vídeo inteiro.

Podcast - íntegra da palestra do delegado de polícia federal Welder Oliveira sobre o combate aos crimes de internet no Brasil

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Réquiem para Stefan Zweig

Jornal do Brasil
Wander Lourenço

Em Lotte & Zweig, romance recém-publicado pelo escritor e professor Deonísio da Silva, nota-se que se intercalam versões distintas referentes ao fatídico episódio ocorrido no município de Petrópolis, na noite de 22 de fevereiro 1942, em pleno contexto da Segunda Guerra Mundial e do governo de Getulio Vargas.

Uma das vertentes de interpretação, decerto, impelirá o leitor a deduzir que a ficcionalização da tragédia vivenciada por Stefan Zweig servirá de palimpsesto para se desmascarar uma imposição histórica ditada por interesses políticos de questionável ordem diplomática entre Brasil e Alemanha. Por esta linha de raciocínio, a propagação oficial do suicídio seria contestada pela segunda parte do livro em questão, a partir de um suposto homicídio que abreviara a existência do escritor judeu de origem austríaca.

Por um dos diletos subterfúgios narrativos da escrita contemporânea, o enredo da obra literária Lotte & Zweigse estrutura pelo viés de uma voz narrativa em primeira pessoa; todavia, a narração se bifurcará mais adiante pelos meandros de uma onisciente perspectiva a se equilibrar pelos parâmetros de um mistério à luz do Holocausto nazista. A consoada de Zweig se instaura pelas evidências da preparação para um suicídio anunciado por inúmeras missivas endereçadas a destinatários mundo afora. Por outro ângulo, o narrador irá inserir elementos fictícios para comprovação de uma trama alemã capitaneada por Joseph, Frida, Helmut, Gustav etc. Acrescenta-se a isto que uma terceira voz narrativa, cujas menções entrelaçam os múltiplos discursos vigentes, margeará a trama por intermédio de um frágil fluxo de consciência provindo da figura que intitula o livro, Lotte, o que, aliás, pouco acrescenta à espinha dorsal da tessitura arquitetada pelas hábeis mãos de um ficcionista em pleno domínio da técnica do romance moderno.

A História sofre as investidas da ficção engendradas pelo intelectual apto a afirmar que a ferramenta do escritor é a imaginação, conquanto não se admita a intervenção do bisturi verbal do artista a interferir no amálgama nevrálgico do conflito étnico. De antemão deve-se, ao menos, se depreender que a escritura se predispõe a arraigar-se por uma tênue hermenêutica da suspeita, em diálogo com a ambiguidade que se instaura pela fresta a incutir a dúvida referente ao ato de renúncia praticado por um homem perseguido pelo antissemitismo cultuado pelo cenário europeu. Destarte, como poder-se-ia forjar a identidade criminal sem se abster da insigne inclemência de historiadores e biógrafos de Stefan Zweig, autores de teses absolutistas não refratárias ao diagnóstico oficial assinalado pela perícia dos discípulos de Getulio Vargas e Adolf Hitler?

Curiosamente, não seria desperdício de causa afiançar que estas duas personagens históricas, Hitler e Vargas, também padeceriam com o estigma de um suicídio mal prefaciado por sobrescritos apócrifos. Entretanto, em retorno ao livro, quiçá seja de bom alvitre advertir que a dialética da sensatez não se ancora em cais de aviltamento. De outra feita, se as palpáveis diretrizes da narrativa que se interpenetram, no tocante à personalidade austríaca que preludia o suicídio e ao narrador que aventa a possibilidade do assassínio, por que considerar que o autor de Lotte & Zweig se responsabilizaria pela rubrica assinalada no laudo ou testamento, que apontaria como causa mortis de cunho político do intelectual de estirpe hebreia?

Caberia enfatizar que a percepção do leitor se equilibrará por sobre um picadeiro de suposições acrobáticas, para abarcar as múltiplas expectativas de um desenlace que, no mínimo, irá se escorar na hipótese do questionamento. Muito provavelmente alguns incautos obterão a certeza de que a posição do alter ego de Deonísio da Silva se pautará pelas prédicas do homicídio contra a família Zweig. Contudo, julgo que mais condizente seria afirmar que, com a proposição do discurso que se alicerça pelo movediço espaço da dubiedade, Lotte & Zweig instigará o debate com requintes de subversão e complexidade.

*Wander Lourenço de Oliveira, doutor em letras pela UFF, é escritor e professor universitário. Seus livros mais recentes são 'O enigma Diadorim' (Nitpress) e 'Antologia teatral' (Ed. Macabéa).

Fonte: Jornal do Brasil
http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2012/05/23/requiem-para-stefan-zweig/

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Richard Steigmann-Gall - O Santo Reich: as concepções nazistas do cristianismo, 1919-1945

Resenha crítica de John S. Conway (Departmento de História, Universidade da Colúmbia Britânica)
Publicado em H-German (Junho de 2003)

Richard Steigmann-Gall. The Holy Reich: Nazi Conceptions of Christianity, 1919-1945 (O Santo Reich: as concepções nazistas do cristianismo, 1919-1945); Cambridge: Cambridge University Press, 2003. 294 páginas, ISBN 978-0-521-82371-5.

O estudo animado e às vezes provocador de Richard Steigmann-Gall sobre a relação entre o nazismo e o cristianismo faz uma inovação. Ele critica aqueles que, como este resenhista, argumentam que o nazismo e o cristianismo eram incompatíveis, tanto na teoria e prática. Em vez disso, ele examina mais de perto as áreas de sobreposição e as ambiguidades decorrentes nas mentes de muitos líderes nazistas. Ele rejeita a ideia de que, quando oradores nazistas fizeram uso frequente do vocabulário cristão antes de 1933, foi puramente um dispositivo tático para ganhar votos. Mais tarde, tal religiosidade enganosa seria descartada por não ser mais necessária. Em vez disso, ele mostra a valorização ampla e consistente do cristianismo como um sistema religioso nas fileiras nazis, mesmo entre os vários membros de sua hierarquia. Da mesma forma, ele contesta a afirmação de que aqueles cristãos que se reuniram à causa nazista eram superficiais e oportunistas, saltando em uma onda política popular. Ele argumenta que as condições estressantes de uma Alemanha derrotada levou muitos cristãos sinceros, principalmente protestantes, a considerar a causa nazista como teologicamente justificada, bem como politicamente apropriada.

O nazismo idealizou, e mesmo idolatrou, a nação alemã e o Volk. Steigmann-Gall mostra como essa tendência já estava presente no recém-criado Reich bismarckiano, e foi muito incentivada pelo clero protestante. Sua teologia de guerra, em 1914, afirmou a aprovação divina da causa da Alemanha e fez cair a condenação sobre seus inimigos. Depois da derrota em 1918, o clero proporcionou o clima espiritual de uma visão apocalíptica do destino da Alemanha, valentemente se guardando contra as investidas dos males do marxismo, do judaísmo, do bolchevismo e materialismo. Tal pensamento dualista percorreram ambos em paralelo e alimentou o extremismo dos grupos políticos radicais da década de 1920, dos quais o nazismo emergiu como o mais bem sucedido.

A mais notória característica do nazismo era seu antissemitismo. Muitos observadores afirmam que o Holocausto foi o culminar de séculos de intolerância e perseguição cristã. Por sua parte, os clérigos têm procurado traçar uma linha entre antes da teologia cristã anti-judaica e o antissemitismo mais virulento racial nazista. Mas Steigmann-Gall, seguindo Uriel Tal, mostra quão facilmente os alemães católicos e protestantes podiam fundir suas antipatias religiosas com a campanha política dos nazistas. Por outro lado, ele mostra quantos nazistas acreditavam na base religiosa de seu ódio aos judeus, que formavam um ponto negativo de referência para uma ideologia de integração nacional-religiosa. A postura de Lutero contra os judeus poderiam ser apoiadas, por razões mais do que meramente táticas. E o apoio de Hitler ao "cristianismo positivo" foi uma tentativa de superar as diferenças confessionais, a fim de concentrar forças cristãs contra o seu arqui-inimigo, o judeu. E com total certeza muitos líderes nazistas eram anticlericais. Mas este veneno era principalmente direcionado contra os padres e pastores que colocavam suas lealdades institucionais à frente dos seus nacionais. Isso não impediu esses nazistas de acreditar que o movimento foi, em certo sentido cristão. Foi nesta base que os nazistas como Gauleiter Wilhelm Kube, o ministro da Educação da Baviera, Hans Schemm, e Hanns Kerrl, o ministro prussiano de Justiça, que mais tarde se tornou o Ministro de Assuntos Eclesiásticos do Reich, puderam buscar uma aliança com esses elementos nas igrejas, especialmente os protestantes, que apoiaram as políticas "autoritárias, anti-marxistas e antissemitas" do nazismo. Esta não foi, Steigmann-Gall acredita, uma relação simples e oportunista de ambos os lados. Ambos acreditavam que estavam seguindo uma postura genuinamente cristã, "seguindo um chamado à fé de Deus, que ouvimos em nosso movimento Volk" (p. 73).

Seguindo esta interpretação, Steigmann-Gall acha que mesmo aqueles nazistas mais hostis às igrejas poderiam ainda continuar a ter uma relação ambivalente com o cristianismo. Por exemplo, Alfred Rosenberg. Em seu livro, "O Mito do Século XX", ele fez várias referências positivas a Cristo como um lutador e antissemita, e era ainda mais entusiasta no louvor do mais notável místico medieval, Meister Eckhart. Se a Igreja poderia ser purgada de seus acréscimos judaicos e romanos, Rosenberg poderia observar mais adiante para uma fé de alma nórdico-ocidental que iria reencarnar um cristianismo mais puro. Nisso, ele apenas adotou as idéias de pelo menos uma fação extremista do protestantismo "cristão alemão".

Certamente, esses "paganistas"(pagãos), como Steigmann-Gall os chama, exerceu pouco controle sobre a política nazista. Hitler corajosamente e de forma consistente rejeitou qualquer discussão sobre uma religião ersatz baseada em mitos alemães ou culminando no Valhalla. O "cristianismo positivo" de líderes como Goering continuou a enfatizar as vantagens de um cristianismo não-denominacional nacional em áreas como educação ou assistência social. E até mesmo estridente anticlericais, como Goebbels ou Streicher, apoiaram a ideia de um cristianismo ariano como um sistema moral admirável. O fato das igrejas serem as únicas grandes instituições que não sofreram mostras de Gleichschaltung, tendo em vista, na visão de Steigmann-Gall, "a atitude fundamentalmente positiva do estado nazista pelo menos na Igreja Protestante como um todo". Por esta razão, em 1934, Hitler se recusou a apoiar os radicais e em 1935 nomeou um protestante antigo e velho camarada, Hanns Kerrl, para ser ministro de Assuntos Eclesiásticos. Este tipo de cristianismo que Kerrl afirmava foi proclamado em seus discursos: "Adolf Hitler tem martelado a fé e a verdade de Jesus nos corações do Volk alemão .... o verdadeiro cristianismo e o nacional-socialismo são idênticos." Mas Kerrl, que foi nomeado para coordenar as facções rivais protestantes, falhou. Então, Steigmann-Gall assinala que Hitler voltou-se contra as igrejas e abandonou o protestantismo institucional de uma vez por todas. Mas, mesmo assim, de acordo com uma fonte, ele ainda seguia suas idéias originais e era da opinião de que "a Igreja e o cristianismo não são idênticos" (p. 188).

As diferenças entre essa interpretação e as apresentadas anteriormente são realmente únicas em grau e tempo. Steigmann-Gall concorda que a partir de 1937 em diante a política nazista em relação às igrejas tornou-se muito mais hostil. A influência de notáveis ​​anticlericais como Bormann e Heydrich cresceu exponencialmente e foi contida somente pela necessidade de compromissos durante a guerra. Por outro lado, Steigmann-Gall argumenta persuasivamente que o programa do Partido Nazista de 1924 e as escolhas políticas de Hitler nos discursos dos primeiros anos não foram apenas motivações políticas ou enganosas na intenção. Concordando com a posição assumida pelo conterrâneo de Hitler, o teólogo austríaco Friedrich Heer, Steigmann-Gall considera esses discursos como sendo um sincero reconhecimento do cristianismo como um sistema de valores a ser adotado. No entanto, ele não está de total acordo em admitir que este cristianismo nazista foi eviscerado de todos os dogmas essenciais ortodoxos. O que restou foi uma vaga impressão combinada com preconceitos anti-judaicos. Apenas poucos radicais na extrema-direita do protestantismo liberal reconheceram essa miscelânea como o verdadeiro cristianismo.

Steigmann-Gall está perfeitamente certo ao salientar que nunca houve um consenso entre os líderes nazistas sobre a relação entre o Partido e o cristianismo. Como Baldur von Schirach comentou mais tarde: "De todos os homens de liderança no Partido que conheci, todos interpretaram o programa do partido de forma diferente [...] Rosenberg misticamente, Goering e alguns outros em um certo senso cristão" (p. 232). As ambigüidades e contradições eram inúmeras. [1] Ao longo dos anos a hostilidade cresceu, apesar de um desejo persistente de querer manter permanentemente um elemento cristão, combinando o antissemitismo e nacionalismo em algum tipo de avaliação positiva.

A façanha de Steigmann-Gall é ter explorado bastante os extensos registros da era nazista, a fim de ilustrar essas concepções muitas vezes conflitantes do cristianismo e demonstrar a prova em uma avaliação cuidadosamente ponderada. Ao fazê-lo, ele quase elabora um caso convincente. Mas sua visão final de que, à luz dos imperativos ideológicos pós-1945, o nazismo tinha de ser retratado como um império do mal e anticristão, parece exagerada. No entanto, é inegável que ele está certo em apontar o quanto o nazismo foi adotado pelos cristãos alemães, especialmente protestantes, dos conceitos e quanto apoio ele ganhou da maioria dos cristãos na Alemanha. Esta é certamente uma lição séria a ser desenhado a partir deste relato interessante e bem fundamentado.

Notas:

[1]. Como um exemplo das diferenças entre líderes nazistas, a seguinte anedota é registrada. Num encontro com Kerrl logo após sua nomeação como ministro da Igreja, Heinrich Himmler disse a ele, "Eu pensei apenas que você estivesse tentando agir piedosamente até o momento, mas agora vejo que você é realmente piedoso. Por isso devo tratá-lo mal no futuro." E então Kerrl espantado perguntou porque e o Reichsfuehrer SS respondeu, "Bem, na sua visão, quanto pior você for tratado aqui embaixo, melhores recompensas receberão depois."

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Fonte: H-Net
http://www.h-net.org/reviews/showrev.php?id=7658
Tradução: Roberto Lucena

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Pesquisador encontra relatório de deportação nazista em arquivo

Um pesquisador alemão anunciou nesta quarta-feira que encontrou em um arquivo londrino um estremecedor relatório policial sobre a deportação de judeus na Alemanha nazista que constitui um valioso documento histórico.

O relatório, que é assinado pelo capitão da Polícia e membro das tropas de assalto das SS Wilhelm Meurin e data de novembro de 1941, descreve a deportação de Düsseldorf e Wuppertal (oeste da Alemanha) com destino a Minsk (Belarus, URSS) de um total de 992 judeus, dos quais apenas cinco conseguiram sobreviver ao Holocausto.

O funcionário nazista, responsável pela supervisão da deportação, documenta de forma burocrática ao longo de sete páginas todas as paradas do trem da morte, enquanto não há praticamente nenhuma frase sobre o estado no qual se encontravam os judeus deportados Bastian Fleermann, o diretor do memorial das vítimas do regime nacional-socialista em Düsseldorf, explicou que encontrou o documento por acaso ao consultar no catálogo virtual da Biblioteca Wiener de Londres as palavras-chave "Düsseldorf" e "Minsk".

"Não sabemos como (o documento) chegou a este arquivo londrino", declarou Fleermann em Düsseldorf ao apresentar pela primeira vez o relatório policial.

Ao mesmo tempo, ele ressaltou a importância deste documento, já que por enquanto é conhecido apenas um semelhante sobre a deportação de judeus - o "relatório Salitter", encontrado nos anos 60 -, pois os nazistas tentaram eliminar no final da Segunda Guerra Mundial todo o rastro de sua maquinaria assassina.

Este documento, assinado pelo funcionário da Polícia Paul Salitter, descreve com detalhes a deportação no início de 1941 desde a estação para trens de carga de Derendorf, em Düsseldorf, de um total de 1.007 judeus com destino a Riga (Letônia).

Fonte: EFE/Terra
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5763694-EI8142,00-Pesquisador+encontra+relatorio+de+deportacao+nazista+em+arquivo.html

Ver mais:
Experto halla en archivo de Londres un informe de deportación nazi de judíos (EFE)

sábado, 5 de maio de 2012

Shlomo Sand: A invenção do povo judeu (livro)

Toda a história dos judeus nada mais é do que uma invenção intencional? Jonathan Wittenberg permanece cético.

Jonathan Wittenberg
The Guardian, Sábado, 9 de janeiro de 2010

"Como podemos desnacionalizar histórias nacionais?" pergunta Shlomo Sand, fazendo uma citação com aprovação do historiador francês Marcel Detienne, antes de fazer o desafio com suas próprias palavras: "Como poderemos parar a marcha ao longo de estradas pavimentadas principalmente com materiais forjados com fantasias nacionais?" Esta é a questão-chave de um livro que pretende, a partir do título, ser provocativo.

Livros desconfortáveis​​, se são bons, podem ser importantes. Narrativas nacionais não precisam de desconstrução, pois elas muitas vezes nos cegam para diferentes percepções do mundo e nos ensurdece junto às reivindicações dos outros. Isto é certamente verdadeiro no Oriente Médio, e eu sou um dos muitos judeus que concordaria com Sand que um fator decisivo para o futuro de Israel será sua capacidade de ser muito mais atento às narrativas e direitos de seus palestinos e outros cidadãos não-judeus.

Mas o livro é uma grande decepção. Sua tentativa de varredura para desmontar toda a história do povo judeu desde suas origens até o tempo presente de Israel tentando provar que é uma invenção intencional é marcada por premissas tendenciosas, com uma leitura errada dos acontecimentos-chaves e ignorância de textos centrais e instituições.

O argumento de Sand começa com conceitos europeus de nação e people-hood do século XIX. Ele afirma que historiadores judeus como Graetz foram profundamente influenciados por noções germânicas do "Volk" no qual a ideia a ideia do Estado moderno é construída. Este nacionalismo foi aguçado pelo discurso de raça e eugenia correntes na época e até mais tarde na Europa, com resultados desastrosos para a judiaria. Sand traça uma linha de Graetz aos historiadores sionistas que, como ele afirma, empregaram conceitos bioétnicos para inventar uma entidade imaginária, um povo com continuidade racial judaica que foi exilado de sua terra, e que portanto poderia retornar até ela 2000 anos mais tarde. Tal continuidade, argumenta Sand, é uma ficção e o povo judeu portanto é uma "invenção".

Um ponto chave para Sand é o destino dos judeus depois da destruição do tempo em Jerusalém pelos romanos em 70EC(d.C.). Sand tenta provar que o exílio dos judeus na sequência desta e subsequentes derrotas nunca aconteceu. É uma ficção da historiografia judaica moderna: portanto, nem mesmo as comunidades judaicas da África do Norte e europeias podem ser produtos de uma diáspora de exilados, mas são antes de tudo o resultado de conversões em massa de populações das mais racialmente diversas. Portanto, não há continuidade genética entre judeus de hoje e aqueles que uma vez habitaram a antiga Judeia.

As falhas no argumento de Sand são ambas histórica e conceitual. A idéia de exílio, como ele sugere, foi adotada a partir da visão cristã de que os judeus foram punidos com a dispersão pelo crime de matar Jesus. Mas isso não faz sentido. O paradigma do exílio e do retorno é encontrado na Bíblia em Deuteronômio e Jeremias em relação à destruição do Primeiro Templo pelos babilônios em 576AEC(a.C.). É, portanto, parte das narrativas judaicas de séculos antes do cristianismo. Além disso, ao contrário do que sustenta Sand, historiadores sérios do período consideram que os romanos, de fato, mataram ou venderam como escravos muitos dos milhares de judeus. O resto da população foi proibida de ter acesso à Jerusalém que foi renomeada Aelia Capitolina. Isso certamente geraria um sentimento de exílio em qualquer povo.

O que é indiscutível é que as primeiras comunidades judaicas cresceram através da conversão. Mas a tese central de Sand é de que a maior parte dos judeus da moderna Europa Oriental deve sua origem ao convertido reino dos khazares, algo que tem sido amplamente discutido e rejeitado, especialmente na esteira do famoso livro de Arthur Koestler sobre o assunto. A alegação de Sand é de que todo esse episódio foi abafado porque enferma a noção sionista de continuidade etnobiológica judaica, que não pode ser mantida.

Igualmente importante é o que Sand fracassa em discutir. Para um grande número de judeus, os argumentos sobre origens raciais são ambos feios e, mais importante, irrelevantes. Em vez disso, a continuidade judaica tem como premissa fatores religiosos, incluindo a observância da Torá, o estudo do Talmud, a criação de comunidades, a vida da sinagoga e os laços da liturgia. Estes pontos são o que fazem as ligações vitais entre as gerações de judeus. Para examinar a história judaica quase sem referência à sua vida religiosa e da literatura é como tentar discutir o Islã sem mencionar o Hadith, a Sharia ou o papel da comunidade muçulmana. Considerando que Sand é muito certo de que a vida judaica sempre refletiu as culturas locais, a sua afirmação "de que nunca houve cultura de um povo judeu" não pode ser levado a sério.

Sand praticamente ignora a perseguição e antissemitismo como fatores que contribuíram para formação de narrativas judaicas, assim como ele omite o papel dessa hostilidade na influência e formação de atitudes israelenses mais tarde.

No capítulo final, Sand oferece uma crítica severa às limitações da democracia israelense. É um tributo ao liberalismo do país, que ele reconhece apesar de suas reservas profundas, que seu livro foi lido lá. Rejeitando a viabilidade de um estado binacional, ele salienta a necessidade urgente de um fim da ocupação e para a participação genuína igualitária de todos os cidadãos do país em seus processos civis como forma de evitar conflitos profundos dentro de suas fronteiras pré-1967. Nisso eu concordo.

Sand deixa claro desde o início que ele se identifica com os excluídos pela narrativa judaico-israelense. Infelizmente, o livro não tem empatia com o forasteiro como poderia se esperar. Em vez disso, o livro é impulsionado por uma polêmica sustentada contra uma leitura equivocada do judaísmo, mais imposta pelo próprio autor do que por aqueles "historiadores autorizados" cuja suposta repressão de "insolentes pequenos fatos" ele se propõe a desvendar. Ironicamente, para um livro destinado a desconstruir mitos, pode muito bem ser listado por estes, com uma mitologia alternativa de que os judeus não têm direito a um Estado. Infelizmente, isso não serviria para promover os interesses dos palestinos, dos israelenses, ou da paz.

Jonathan Wittenberg é rabino da Sinagoga New North de Londres. Seus livros incluem "The Silence of Dark Water: An Inner Journey" (Robin Clark/Joseph's Bookstore).

Fonte: The Guardian (Reino Unido). Crítica do livro The Invention of the Jewish People (A invenção do povo judeu) de Shlomo Sand
http://www.guardian.co.uk/books/2010/jan/09/invention-jewish-people-sand-review
Tradução: Roberto Lucena

Leitura adicional:
A invenção do povo judeu (A "equivoco" do livro de Shlomo Sand) (blog avidanofront)

Ver mais:
Os Khazares e o "revisionismo"

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Os Khazares e o "revisionismo"

A História dos Khazares é uma história costumeiramente citada e distorcida pelos "revisionistas" para fins políticos, que usam esse discurso para afirmar que os judeus europeus não teriam laços com os judeus que saíram da região onde se encontra Israel hoje, sendo que um dos principais sites que divulgam essa baboseira é o site antissemita chamado Radio Islam, de um extremista de origem marroquina chamado Ahmed Rami, que vive na Suécia.

Essa história dos Khazares e dos judeus ashkenazis foi principalmente difundida por um jornalista(não historiador) judeu, Arthur Koestler, que lançou um livro nos anos setenta chamado "A décima terceira tribo (O Império Khazar e sua herança)" no qual formulava a idéia de que esse império (que haveriam se convertido ao judaísmo) teria uma contribuição significativa na formação dos judeus europeus(no caso, os Ashkenazim). Em cima disso se chega a pérolas como a que alegam que todos os judeus da Europa seriam descendentes dos khazares ignorando que judeus de países como Espanha e Portugal não eram descendentes de Khazares, fora outros erros.

O curioso de tudo isso é que o livro do Koestler é usado e divulgado principalmente por grupos de extrema-direita pra pregação antissemita e afins (negacionismo do Holocausto e outras teorias da conspiração).

Em virtude disso segue abaixo um texto sobre a origem dos Ashkenazim, mesmo não sendo um assunto diretamente ligado ao Holocausto, mas sendo um assunto citado por grupos "revisionistas" (negacionistas), o texto tem a ver com a questão do "revisionismo" e "revisionistas" (negadores do Holocausto).

Esta tradução do texto é antiga e não foi publicada antes pra evitar "romarias" de fanáticos religiosos obcecados com assuntos relacionados aos conflitos do Oriente Médio, por isso aviso que não nutro qualquer idolatria ou crença religiosa em relação aos conflitos daquela região do planeta.

Os Ashkenazim
por Shira Schoenberg

"O nome Ashkenaz foi aplicado na Idade Média para Judeus que viviam ao longo do Rio Reno no norte da France e na parte oeste da Alemanha. A concentração dos judeus Ashkenazi mais tarde se extendeu até a Polônia-Lituânia e hoje existem assentamentos Ashkenazi ao redor do mundo. O termo "Ashkenaz" foi identificado primeiramente com costumes alemães e descendentes de Judeus alemães.

No 10º e 11º século, os primeiros Ashkenazim, comerciantes judeus na França e Alemanha, eram pioneiros econômicos, tratados bem devido a suas conexões comerciais com o Mediterrâneo e o Oriente. Comunidades judaicas surgiram em muitos centros urbanos. No início as comunidades Ashkenaz eram pequenas e homogêneas. Até grêmios cristãos eram formados, judeus eram agricultores/representantes dos produtores e artesãos. Na França, muitos judeus possuíam vinhedos e faziam vinho. Eles carregavam armas e sabiam como usá-las em sua própria defesa. Os judeus de cada cidade constituíam uma independente entidade de governo própria. Cada comunidade, ou kahal, estabeleciam seus próprios regulamentos feitos por comitê eleito e cortes judiciais. Eles forçavam cumprir suas regras com a ameaça de excomunhão. Os Ashkenazim geralmente evitavam as influências externas e se concentravam nas fontes internas judaicas, idéias e costumes.

Os Ashkenazim focaram-se nos estudos bíblicos e talmúdicos. Centros de estudo rabínicos apareceram no décimo século em Mainz e Worms na Renânia e em Troyes e Sens na França. Os centros de estudo Ashkenazi centraram-se em torno da discussão oral. Os sábios focaram-se na compreensão de pequenos detalhes dos textos ao invés de extrair princípios gerais. O mais famoso novo professor era o Rabino Gershom de Mainz. Alguns de seus decretos, como a da proibição da poligamia, ainda existem até hoje.

A primeira principal figura literária Ashkenazi foi Rashi (Salomão ben Isaac de Troyes, 1040-1105), cujos comentários na Bíblia e no Talmud são até hoje considerados fundamentais para o estudo judaico. Os tosafistas, eruditos talmúdicos Ashkenazi no norte da França e Alemanha, introduziram novos métodos e introspecções dentro do estudo talmúdico que ainda está em uso. Os judeus Ashkenazi dessa época compuseram poesia religiosa modelada depois do quinto e sexto século, 'piyyutim'(poemas litúrgicos). Enquanto a oração litúrgica variava até entre países Ashkenazi, as diferenças eram quase insignificantes comparadas as diferenças entre a liturgia Sefaradi e Ashkenazi.

Enquanto judeus Ashkenazi ocasionalmente experimentavam o anti-Semitismo, a violência da multidão primeiro estourou contra eles no final do século XI. Muitos judeus foram assassinados no que Robert Seltzer chama de "atmosfera religiosa sobrecarregada". Muitos estavam dispotos a morrer como mártires a ter que se converter.

Nos 12º e 13º séculos, muitos judeus Ashkenazi tornaram-se prestamistas. Eles eram apoiados por governantes seculares que eram beneficiados pelas taxas impostas aos judeus. Os governantes não totalmente os protegiam, mas entretanto, o libelo de sangue aumentava acompanhado pela violência. Em 1182, os judeus foram expulsos da França. Judeus Ashkenazi continuaram a construir comunidades na Alemanha até eles enfrentarem motins e massacres nos séculos de 1200s e 1300s. Alguns judeus mudaram-se para a Espanha Sefaradi enquanto outros instalaram Ashkenazi comunidades na Polônia.

O centro da judaria Ashkenazi mudou-se para a Polônia, Lituânia, Boêmia e Morávia no início do século XVI. Os judeus estavam pela primeira vez concentrados no Leste Europeu ao invés da Europa Ocidental. Judeus poloneses adotaram os ritos Ashkenazi, liturgia, e costumes religiosos dos judeus alemães. O Ashkenazi mahzor(livro de orações do feriado)incluía orações compostas por poetas da Alemanha e Norte da França.

Na Polônia, os judeus tornaram-se agentes fiscais, coletores de impostos, gerentes do Estado para nobres, comerciantes e artesãos. Nos séculos de 1500-1600s, a judaria polonesa cresceu e tornou-se a maior comunidade judaica na diáspora. Muitos judeus viviam em shtetls, pequenas cidades onde a maioria dos habitantes eram judeus. Eles instalaram os 'kehillot' como aqueles da Idade Média que elegiam um comitê de administradores para coletar impostos, instalaram sistemas educacionais e de negócios com outras necessidades da vida judaica. Os judeus até tinham seus próprios grêmios de ofício. Cada kahal tinha um yeshiva, onde meninos com cerca de 13 anos de idade aprendiam textos talmúdicos e rabínicos. Yiddish era a linguagem da oral translation e da discussão da Torá e do Talmud. Eruditos Ashkenazi focaram-se na leitura cuidadosa do texto e também em resumir interpretações legais dos eruditos Ashkenazi e Sefaradi anteriores da lei judaica.

Ashkenazim focaram-se no Hebraico, Torá e especialmente no Talmud. Eles usaram a religião para proteger a eles mesmos de influências externas. Os judeus desta época eram largamente de classe média. Por escolha, a maioria deles viviam em comunidades autônomas ao redor de sua sinagoga e outras instituições comunitárias. O Iidishe era a linguagem em comum dos judeus Ashkenazi no Leste europeu e na Europa central. Com o início da Renascença e as guerras religiosas em meados do século XVI, a divisão cresceu entre os judeus da Europa central e a do leste. Na Europa Central, particularmente na Alemanha, governantes forçaram os judeus a viverem a parte do resto da sociedade em guetos com cerca de 100 e 500 habitantes. Os guetos eram geralmente limpos e em boas condições. Judeus do Leste europeu viviam nos shtetls, onde judeus e gentios viviam lado a lado.

Nos séculos XVII e XVIII, judeus na Polônia, o centro da judaria Ashkenazi, enfrentaram libelos de sangue e motins. O crescimento do Hasidismo na Polônia tirou muitos judeus ausentes da típica prática Ashkenazi. Depois dos massacres de Chmielnicki na Polônia em 1648, judeus poloneses se espalharam pela Europa ocidental, alguns até cruzaram o Atlântico. Muitos judeus poloneses Ashkenazi fujiram para Amsterdã e entraram previamente nas comunidades existentes dos judeus alemães. Os Sefardim por lá consideravam os Ashkenazim socialmente e culturalmente inferiores. Enquanto os Sefardim eram geralmente ricos, os Ashkenazim eram vendedores ambulantes pobres, comerciantes pequenos, artesãos, polidores de diamantes, trabalhadores de jóias e ourives. Como os Sefardim tornaram-se mais pobres no século XVIII, as comunidades tornaram-se mais igualitárias e mais unidas.

A comunidade judaica na Inglaterra também mudou no século XVIII. Ela tinha sido primeiramente Sefaradi durante o século XVII, mas tornou-se mais Ashkenazi na cultura a medida que o número crescia dos judeus alemães e poloneses que chegavam.

Por volta de 1750, cerca de 2,500 judeus viviam nas Colônias Americanas, a maioria era Ashkenazi. Eles eram judeus que falavam Yidish da Holanda, Alemanha, Polônia e Inglaterra. Os primeiros judeus eram comerciantes e traders. Desde então, judeus Ashkenazi levantaram comunidades ao longo dos Estados Unidos.

Pelo final do século XIX, como resultado da perseguição russa, houve uma massiva emigração Ashkenazi do Leste europeu para outras áreas da Europa, Austrália, África do Sul, Estados Unidos e Israel. Ashkenazim excediam os Sefardim em todas as partes exceto no Norte da África, Itália, Oriente Médio e partes da Ásia. Antes da Segunda Guerra, Ashkenazim compreendiam 90% do mundo judeu.

A destruição da judaria européia na 2a Guerra reduziu o número de Ashkenazim e, com alguma exceção, sua superioridade númerica superava os Sefardim. Os Estados Unidos tornaram-se o principal centro para os judeus Ashkenazi.

Em um certo período Ashkenazim e Sefardim desenvolveram diferentes orações litúrgicas, serviços da Torah, pronúncias do hebraico e modos de vida. Originalmente, a maioria dos Ashkenazim falavam Yidish. Os tons dos Ashkenazi e Sefaradi para ambas orações e leitura da Torah são diferentes. Uma Torah Ashkenazi encontra-se plana enquanto está sendo lida, enquanto uma Torah Sefaradi eleva-se. Os escreventes Ashkenazi desenvolveram um certificado distinto. Uma das maiores diferenças está na fonte usada para decidir a lei judaica. Os Sefardim seguem a 'Shulhan Arukh' do Rabino Joseph Caro. Os Ashkenazim seguem o Rabino Moses Isserles, que escreveu um comentário na 'Shulhan Arukh' citando a prática Ashkenazi. Existem diferenças em muitos aspectos da lei judaica, na qual as leis para mulheres são isentas daquela comida que é permita para se comer na Pesah(Páscoa). Atualmente, muitas das distinções entre Ashkenazim e Sefardim desapareceram. Em ambos, Israel e Estados Unidos hoje, Ashkenazim e Sefardim vivem juntos, embora tenham geralmente instituições separadas.

Em Israel, tensões políticas continuam a existir por causa de sentimentos por parte de muitos Sefardim de que eles seriam discriminados e ainda não teriam o respeito que merecem. Historicamente, a elite política da nação tem sido Ashkenazim; entretanto, isto está gradualmente mudando. O Shas, um partido religioso Sefaradi, tornou-se um dos mais poderosos no país e indivíduos políticos Sefaradi agora ocupam posições poderosas. Marroquino de nascimento, David Levy, por exemplo, serviu como ministro do exterior e, em Julho de 2000, o judeu, iraniano de nascimento, Moshe Katsav, foi eleito presidente.

Fonte do texto resumo: Jewish Library (fonte online)
http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/Judaism/Ashkenazim.html
Fontes (livros): Ausubel, Nathan. Pictorial History of the Jewish People. New York: Crown Publishers, 1953.
Dimont, Max. Jews, God and History. New York: Simon and Schuster, 1962.
Encyclopedia Judaica. "Ashkenaz". Jerusalem: Keter Publishing House, 1972.
Seltzer, Robert. Jewish People, Jewish Thought. New York: Macmillan Publishing Co., 1980.
Tradução: Roberto Lucena

Leitura adicional: History of the word Ashkenaz
http://www.somethingjewish.co.uk/judaism_guide/ashkenazi_jews/index.htm

Ver mais:
Shlomo Sand: A invenção do povo judeu (livro)

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