segunda-feira, 28 de julho de 2014

O viés anti-Brasil da imprensa espanhola escancarado na Copa. Destaque para o jornal El País

Como comentei antes, eu iria comentar a série de absurdos que saiu durante a Copa cometidos pela imprensa estrangeira principalmente, só que com esse evento da ofensiva/massacre em Gaza (que já vai em mais de mil mortos, pra ser mais preciso, 1139 mortos e subindo), não havia/há clima pra discutir a questão de uma forma melhor.

Eu prometi que iria condenar os ataques de um jornal espanhol (embora eu tenha visto matérias hostis em outros jornais da Espanha), mas infelizmente não deu pra fazer o post na Copa.

Falar em imprensa estrangeira é ser genérico, houve pontos positivos da imprensa estrangeira com destaque pra imprensa francesa cobrindo a Copa (a França sempre teve uma boa ligação política e cultural com o Brasil e demonstrou isso mais uma vez no mundial, cobertura honesta, sem excesso) e mesmo da imprensa norte-americana. A imprensa britânica foi bipolar, foi um morde e assopra constante com sua briga particular com a FIFA e certo espírito de porco atacando o evento pra outros fins (até as Olimpíadas) sem respeitar a escolha do país, mas segurou a "onda" no decorrer do mundial quando a "catástrofe" anunciada não ocorreu. A DW alemã também foi um destaque negativo com matérias tendenciosas ao extremo (e já vem fazendo isso há algum tempo). Mas houve uma imprensa que despontou negativamente pra valer nessa questão a ponto de ser destacada aqui: a imprensa espanhola. Com destaque principal pro jornal El País, disparado o que mais atacou de forma irresponsável, sensacionalista e distorcida o país antes, durante e após a Copa, o que provoca reações inamistosas de brasileiros com a Espanha.

Eu não sou muito de voltar atrás com elogio, até porque não dá pra mudar de opinião conforme a dança, mas já cheguei a elogiar a parte de segunda guerra que sai nesse jornal na versão espanhola, mas isso não me impedirá de criticar pesadamente o viés anti-Brasil, eleitoreiro e até xenófobo desse jornal, que pertence ao grupo Prisa (Espanha).

Por que eu disse eleitoreiro? Porque o grupo deste jornal é próximo politicamente a um certo partido brasileiro de cor azul, oriundo de São Paulo (estado), e de multinacionais espanholas (exemplo1, exemplo2) no Brasil, e dá pra notar que há um ataque direcionado visando as eleições no Brasil este ano, um claro gesto de intromissão externa indevida onde não são chamados. Analisar os países é uma coisa, sugerir e insinuar pro povo via matérias, que são editoriais disfarçados, é intromissão indevida. Mas isso só ocorre porque uma parte da sociedade brasileira permite o comportamento cretino de órgãos de imprensa interna e externa, com seu famoso complexo de vira-latas, falta se senso de nação e uma postura que beira a estupidez. Só que há outra parte da sociedade do país, que é maioria (e deveriam demonstrar o repúdio a esse tipo de postura cada vez e de forma aberta), que tem senso de pátria/nação e que não tolera isso e eu me incluo nesta parte.

Eu havia salvo vários links das matérias que esse jornal soltava pra fazer este post, sempre de forma negativa atacando tudo no país ou usando a Copa para campanha eleitoral, exemplo: La careta del gigante, um texto idiota, de outro idiota liberal radical de um país vizinho (Vargas-Llosa, o que concorreu com o Fujimori), explorando a Copa pra fazer politicagem rasteira. Essa matéria (e todas as outras) eu vi durante a Copa, vários textos com cunho eleitoral, isso não é jornalismo, é porcaria.

Daria um post só pra apontar as besteiras dele no texto, mas só pra ilustrar uma bem escancarada:
"donde el equipo carioca dio una pobre imagen haciendo esfuerzos desesperados para no ser lo que fue en el pasado sino jugar un fútbol de fría eficiencia, a la manera europea."
Time carioca? O que esse cara fumou? rs. Nem localizar os estados do país esse cara sabe. Carioca é quem nasce na cidade do Rio de Janeiro, capital do Estado do Rio de Janeiro (capital e Estado possuem o mesmo nome), e fluminense é quem nasce no Estado do Rio, e não é nem nunca foi sinônimo de brasileiro a não ser como atestado de ignorância, apesar da imprensa do Rio sempre forçar a barra com essa questão criando atrito com o resto do país pois a História do Brasil não se resume nem nunca se resumiu a um único estado ou cidade. Mas isso mostra o grau de "conhecimento" do cara sobre o país, é um erro tão grosseiro que já dá uma ideia do que viria depois.

É ruim coletar matéria por matéria (coloquei a matéria acima pra ilustrar a coisa), por isso decidi que se sair (ou mesmo as passadas) alguma matéria muito esdrúxula neste jornal, e for o caso, eu comento aqui no blog, mas pra quem lia os textos parecia que havia uma disputa 'particular' entre esses países coisa que só passa na cabeça da redação desse jornal, pois por mais desigual que o Brasil seja (e é), não dá pra comparar um país continental e o peso econômico dele (em recursos etc, vide a posição do Brasil com os BRICS) com um país com desenvolvimento praticamente bancado pela União Europeia na sombra da União Soviética (quando essa ainda existia), sem recursos naturais relevantes e que inclusive tem dificuldade de se entender com suas ex-colônias.

Esse é outro assunto a ser tratado mais pra frente pois um dos colunistas desse jornal fez uma comparação ridícula entre períodos do Espanha e Brasil, com um viés arrogante e tolo, que só quem desconhece a história e a dimensão do país o faz. E esse tipo de matéria de quinta categoria ainda repercute no país por conta do viés eleitoreiro da grande mídia brasileira. Em outro país esse tipo de publicação seria rechaçada de cara ou ignorada pela imprensa local.

Não quero fazer comparações entre países, cada país do mundo tem sua relevância, suas particularidades etc, mas soa como esnobismo, ignorância e prepotência esse tom usado por essas pessoas nesses textos desse jornal da Espanha, a petulância chama atenção.

Mas ainda não tinha caído a ficha da real motivação desses ataques. Eu pensava que se tratava de pura xenofobia, uma vez que o clima entre os dois países não anda lá muito amistoso há bastante tempo (mesmo a mídia brasileira, tendo má reputação, ainda relata esses casos de atrito pois a mesma tem medo de ser barrada um dia nesse país), com brasileiros sendo barrados em aeroportos espanhóis de forma deliberada. Mas o intuito do jornal pode ser um misto das duas coisas, eleitoreiro e xenófobo.

Este ato constante de barrar brasileiros em aeroportos da Espanha (inclusive de gente que nem ficaria lá, só estava de trânsito e iria pra outros países, Link1, Link2), já provocou reação do governo brasileiro e a reciprocidade de tratamento e até visita do ex-rei da Espanha tentando "apaziguar" o "problema" e os "ânimos", que a meu ver não passa de formalismo barato e o Brasil deveria endurecer o tom com este país como resposta, pra deixar claro o seguinte: não somos ex-colônia espanhola, não temos laços culturais pra ter essa "intimidade forçada" que esse jornal tenta forjar, e por aí vai. Estão tentando forjar uma intimidade entre países que simplesmente não existe, e não por culpa do Brasil.

Temos laços com outros países (citei a França acima, por exemplo), e não temos que aturar delírio sub-imperialista querendo dizer ao Brasil como e de que forma o país deve se comportar. Isso é uma afronta sem tamanho e de uma arrogância fora do comum. Os comentários aqui não são sobre o povo espanhol, ou da maior parte dele, que é vítima desses grupos também, embora parcela da população (como em todo país) compartilha dessa mentalidade tacanha do jornal, e sim ao governo espanhol (de qualquer partido, esquerda ou direita) e Estado espanhol de uma forma geral. "Amizade forçada" não é algo bem-vindo, que fique bem claro isso. Não sou só eu que compartilho dessa opinião no Brasil, muita gente no país pensa do mesmo jeito e até de forma dura do que o que citei acima, só que a mídia brasileira faz "questão" de "ignorar" essas questões achando que as pessoas não saberão se ela não "comentar". Com a internet ninguém precisa dela pra externar posições.

Pra quem não está familiarizado com essa questão, há até hoje problemas de aproximação entre a Espanha e suas ex-colônias no continente americano, existe o termo pejorativo "sudaca" pra se referir de forma "não muito amistosa" (preconceituosa) a sulamericanos. Pra nós do Brasil esse termo não têm sentido algum, pois como disse acima, não há uma ligação cultural entre Brasil e Espanha apesar da proximidade dos idiomas, não é próxima ao Brasil. Soa até como piada às vezes pois ninguém tem a Espanha como referencial no Brasil (com todo respeito ao país, mas isso é um fato), se viesse de Portugal talvez o tempo fechasse (pelas ligações históricas entre os países, o idioma oficial português não foi aceito ao acaso), mas pros demais países vizinhos esse problema acontece, em maior ou menor intensidade e no resto da América espanhola (América Central, do Norte). Vira e mexe esse jornal vive dando pitaco nos governos desses países de forma agressiva e editorial, visivelmente se intrometendo em assuntos estritamente internos, como se ainda a Espanha mandasse nesses países.

Na Copa das Confederações e no mundial houve relatos de xingamentos racistas com o Brasil com a expressão "mono", que quer dizer (em espanhol) macaco. Velho racismo usado contra negros. Novamente isso vira anedotário pois "mono" em português só tem sentido como oposto de "estéreo", relativo a som, aos ouvidos do país esse xingamento não têm impacto (sentido) sonoro e escrito algum, ainda mais por não haver, como já citei acima, um contato cultural relevante entre Brasil e Espanha exceto quando algum jogador brasileiro vai jogar naquele país, e fica por aí.

Não quero diminuir a relevância histórica da Espanha, eu mesmo tenho curiosidade sobre a história daquele país, mas a imagem geral da Espanha no Brasil (pra maior parte do povo) é essa e não é um jornal com atitude hostil que irá modificar isso.

Pra quem quiser ver as matérias: Link1, Link2, Link3.

Uma das razões pro futebol ser um esporte tão apaixonante, e me refiro mais à disputa de seleções do que de clubes, é que é um esporte completo, até geopolítica entra em campo às vezes quando não deveria, além de outras questões políticas como o racismo. E como fica claro nos links das matérias acima, não somos nós brasileiros que não sabemos perder, ninguém gosta de perder mas não saber perder é muito feio, a imprensa de fora achava que iria ocorrer um maremoto no Brasil se a seleção brasileira perdesse, o que era e sempre foi um exagero ridículo (sentiram mais a derrota do Brasil do que os brasileiros), e a seleção não só perdeu como ainda sofreu uma goleada histórica (7x1 pra Alemanha) e estamos vivos, independente disso. Como ocorreu depois de 1950 contra o Uruguai, ninguém morreu por isso, apesar da choradeira eterna da imprensa do Rio em torno do "Maracanço" que acabou por mitificar algo que não tem tanta importância pois o Brasil foi penta campeão do mundo depois disso e disputou mais seis finais. O futebol é ainda só um esporte, apesar de tudo (dos desmandos da FIFA, lavagem de dinheiro nos clubes etc).

Assunto bem interessante pra outro post já que alguns "revis" de fora andaram misturando as crenças racistas deles com o jogo da semifinal sem entender nada de futebol. Ver um neonazi "revi" exaltar a seleção multicultural da Alemanha (que vai de encontro ao que eles pregam) não deixa de provocar uma satisfação por dentro, rs.

"Ah, mas a Espanha pode estar querendo se aproximar do Brasil e você está sendo hostil..."; bem, não tenho nada contra que qualquer país no mundo se aproxime do Brasil, pelo contrário, acho isso bom, bem-vindo, vide a celebração que foi a Copa com algumas exceções (parte das torcidas de países vizinhos no mundial, é um assunto a ser tratado noutro post). Sempre cito o caso francês como exemplo, talvez seja um dos países europeus mais próximos ao Brasil, e também a Alemanha que tem parcela do país sendo seus descendentes e o caso francês e alemão são até mais destacados no Brasil que Portugal (antigo colonizador), quando se esperava que Portugal fosse mais próximo do Brasil e não é. Só que ninguém se aproxima de país algum com um comportamento agressivo e ofensivo como esse descrito acima, intrometendo-se dessa forma num pleito eleitoral e até no mundial do país, com comportamentos que remetem aos imperialismos do século XIX e antes dele. Pelo contrário, a continuar assim criarão um ranço sério anti-espanhol no Brasil. Como já comentei, muita gente já anda reparando esse comportamento direcionado.

Há muitos brasileiros que quando leem esse tipo de comentário do post começam a dar piti histérico pois, de tão acostumados a serem submissos a quem eles julgam "mais poderosos", eles começam a tentar reprimir quem se rebela contra esse tipo de abuso querendo abafar o assunto, mas um aviso a esse pessoal: libertem-se desse comportamento, submissão não é educação, essa submissão de vocês leva inclusive a brasileiros serem atacados fora do país porque vocês passam a imagem de gente submissa demais, covarde e medrosa, muitos de vocês confundem submissão com cortesia e educação que são coisas distintas, diferentes. Tratar a todos igualmente é questão de educação e princípios e algo a ser celebrado e exaltado sempre, baixar a cabeça não.

Já li comentário imbecil de um fake, faz tempo, fazendo piadinha aqui na ocasião daquele caso da brasileira na Suíça quando se chegou a conclusão de que ela forjara um ataque neonazi contra ela mesma, que beirava a cretinice. Eu me pergunto o que se passa na cabeça desse tipo de lunático e o porquê dele (e quem pensa como ele) ainda não ter saído do Brasil. Já que julgam esse país tão ruim deveriam ser coerentes e procurar cair fora, ninguém quer saber de choro compulsivo e doentio desse tipo de pessoa, não deixarão saudades alguma. Mas não, eles fazem o oposto disso, ficam grudados ao país de forma doentia querendo que os outros sintam "pena" deles, comovam-se com esse sentimento de auto-piedade deles, comportamento asqueroso e desprezível.

Voltando à questão... eu tendo a boicotar esse jornal daqui pra frente, que inclusive já usei em várias traduções aqui sobre temas relacionados à segunda guerra e racismo, não me sinto confortável reproduzindo textos dele sabendo do que comentei acima (exceto se for pra criticar), mesmo que prestem ou sejam interessantes, sabendo desse viés anti-Brasil por motivos 'n' (o viés pode se dar por qualquer uma das hipóteses citadas acima ou todas juntas), porque quando a gente coloca matéria de um jornal a gente também divulga a publicação, então é melhor cortar (ir à raiz do problema).

Não é tolerável que jornais estrangeiros se intrometam em questões internas do país achando que todo brasileiro aceita passivamente essa postura porque uma parte imbecil do país, que não possui senso cívico ou de pátria algum, fiquem batendo "palmas" pra esse comportamento cretino, ou querendo insuflar ódio anti-brasileiro nos demais países latinoamericanos já que essa publicação é ou era bastante lida no resto da América Latina (na parte espanhola). Faço questão de avisar e comentar o assunto pois é um assunto que ultrapassa a opinião pessoal e são coisas de atritos entre Estados/países e estão cruzando a linha vermelha (expressão usada para indicar o limite extremo aceitável, depois disso surge conflitos).

Tá dado o recado. Se ocorrer ataques xenófobos ao Brasil na imprensa espanhola, haverá´revide, o famoso "bateu, levou". Se o governo não toma atitude o povo pode tomar. Se não sabem se comportar ou respeitar o país por bem, vão se comportar e respeitar por mal, de qualquer jeito. Espero que o governo brasileiro pare com esse tom brando/ameno em questões internacionais ignorando esse tipo de ataque traiçoeiro, cínico e deliberado de alguns países ou da imprensa de alguns países por conta da proximidade idiomática do português com o espanhol. Colonialismo ibérico no Brasil de novo, não.
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P.S. eu não havia lido este texto (de 2013) que fala no mesmo problema citado acima só que de forma mais detalhada porque enfoquei mais a questão cultural e histórica da coisa, pois isso é o que influi no comportamento desses grupos. A quem quiser ler: El Pais Brasil, cavalo de Tróia das empresas espanholas (Link original).

O comportamento do jornal é idêntico ao descrito na matéria do link e ao que comentei acima, não só na versão brasileira como na original em espanhol. Não sei se tocam que estão sendo rechaçados mas isso não é problema nosso. Coisas desse tipo costumavam passar batidas, mas os tempos são outros.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Sobre o post "Os selfies de Auschwitz" e o conflito no Oriente Médio

Selfie sendo feito na "Marcha da Vida", 2013 Auschwitz-Birkenau.
A foto não está sendo tirada num concerto de rock, trata-se do
campo de extermínio mesmo.
Comentar neste post à parte o post com a tradução da matéria "Os selfies de Auschwitz. A banalização da memória" que toca num problema sério ligado à questão da memória do Holocausto, uso político em propaganda nacionalista e o conflito no Oriente Médio.

Numa parte do texto tem escrito (destaco):
"Quando as palavras esvaziam a história

"De certa maneira não é culpa desses garotos", disse ao The New Yorker a criadora da página no Facebook "Com minhas melhores amigas em Auschwitz", que apresentava uma coleção de selfies publicados no Instagram pelos jovens turistas. A exibição dessas imagens, acompanhadas por sarcásticos pies de fotos, fez estourar o debate em Israel.

"Muitos políticos usam cinicamente o Holocausto para fazer avançar seus próprios interesses", assinalou a revista estadunidense. No seu entendimento, o tema do extermínio judeu tem sido utilizado também pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu como moeda corrente em sua retórica nacionalista.

Os políticos têm usado a memória do Holocausto para exacerbar o nacionalismo israelense. (EFE/Abir Sultan)

Algumas vozes em Israel questionaram a intenção política desses périplos escolares pelos campos de concentração, que contribuíram para exacerbar a paranoia e o nacionalismo nos jovens, em especial nos homens obrigados a prestar serviço militar desde os 18 anos.

A página no Facebook foi desativada na quarta-feira passada, mas sua autora considera que cumpriu seu objetivo. "Aqueles que não entenderam a mensagem até agora, provavelmente nunca a compreenderão", disse a The New Yorker.
O texto vai direto ao ponto central problema e mesmo sem citá-las ele remete àquelas Marchas da Vida que citei na observação do post anterior, pois 'aparentemente' servem pra direcionar esse público jovem pra Israel visando o que chamam de Aliá (ou em inglês Aliyah), pra que futuramente emigrem pra Israel ou pra reforçar discurso ultranacionalista interno pros grupos de adolescentes que vão de Israel pra visitar esses campos.

Isso obviamente é um uso político indevido (ou no mínimo altamente questionável) da memória pra fins políticos diversos que não o de educar pessoas para uma formação humanista para compreenderem a questão do genocídio de forma mais ampla e da intolerância do fascismo e o que um regime ultranacionalista pode causar em qualquer país, incluindo Israel.

A quem quiser ver uma denúncia melhor elaborada (detalhada) sobre o problema citado acima, pode e deve conferir o documentário Defamation (Link2) produzido pelo cineasta israelense Yoav Shamir, o mesmo do documentário Checkpoint.

Uma crítica ao filme (em inglês):
Yoav Shamir’s great film, ‘Defamation’, offers a devastating and transcendent portrait of Foxman

Mas farei um comentário sobre o documentário pois esse documentário aparece em vários sites "revis" quando o mesmo não é negacionista, muito longe disso, é uma crítica séria e necessária. Os "revis" costumam citar o documentário com aquelas propagandas "bombásticas" de sempre e que acabam ficando sem resposta por parte das entidades citadas no filme ou mesmo de entidades ligadas a este tipo de questão, porque não dá simplesmente pra fazer de conta que o filme não existe e nem ignorar o conteúdo do mesmo.

Caso alguém queira assistir, não irei colocar o link dele aqui pois o vídeo legendado no Youtube está numa conta de extrema-direita, mas quem quiser pode assistir lá, é fácil o acesso. Outra opção é a de baixar da web (com a legenda, pela web dá pra achar fácil) e assistir.

O documentário é feito por um israelense que questiona o uso político citado acima dessas Marchas da Vida, sendo usadas pra doutrinar adolescentes, de Israel e fora de Israel, e mostra vários maus usos da memória pra fins políticos.

Muita gente acaba nem assistindo achando que se trata de um filme antissemita ou algo do tipo porque no começo do filme o cineasta coloca alguns cidadãos judeus anciãos em tom de ironia (inclusive a avó dele) repetindo vários clichês ditos por antissemitas, mas passada essa parte o filme foca em questões realmente sérias. É parte do humor do cineasta, eu particularmente não acho graça nesse tipo de "humor" mas se ele acha... questão de gosto, cada um com o seu... mas isso não deve impedir que as pessoas prossigam e assistam o filme inteiro.

Muita gente também cisma com o filme porque as "fontes de divulgação" são suspeitas (sites "revis" adoraram o filme mas sem entender a crítica, pra variar...) e por apenas lerem o título da coisa acabam deixando de lado (isso mesmo que você leu, muita gente só lê o título do filme e não vê o conteúdo). Há também o problema que citei acima de que as entidades citadas no filme (e várias entidades ligadas a Israel, em todos os países) deveriam ter uma autocrítica sobre essas questões do ultranacionalismo e sobre o conflito no Oriente Médio, mas não o fazem, pelo contrário, a "culpa" (conceito religioso) é sempre do outro, nunca há "problemas" no governo israelense, quando não comentam repetindo discurso oficial do governo israelense, simplesmente fazem de conta que as coisas não existem, ou desviam o foco da discussão e deixam circular de qualquer maneira na internet os vídeos sem resposta à altura, sem autocrítica.

A incapacidade de se autocriticar é um sintoma grave de sociedades conturbadas. Eu chamo isso de a famosa postura do avestruz, apesar de ser um mito pois o avestruz não enfia a cabeça no chão com medo, o dito popular diz que o animal mete a cabeça no chão com medo e deixa o tempo fechar ao redor com o famoso "não é comigo" (mesmo sendo). A analogia é pertinente pois é um ato de covardia fazer vista grossa.

Por que o problema causa tanta repulsa e controvérsia? Porque, como fica claro no filme, você levar um bando de aborrecentes (adolescentes) cheios de espinha na cara e com a cabeça na lua pensando em mil e uma bobagens pra ter "terapia de choque" em campos de extermínio, das duas uma, ou estão formando um bando de lunáticos traumatizados que vão descarregar esses traumas adquiridos em alguém (vão servir o exército pra matar alguns e depois virarem 'pacifistas arrependidos' pra consciência 'pesar' menos) ou até gente que futuramente com raiva se voltará contra os idealizadores dessas campanhas que provavelmente são mantidas pela direita israelense e seus apoiadores (dos grupos que votam e apoiam Netanyahu, Lieberman etc, dentro e fora de Israel), como alguns "radicaizinhos" vindos de Israel que descambam até pro antissemitismo como esse Gilad Atzmon que é cultuado por vários grupos de extrema-direita, "revis" e até gente na extrema-esquerda que não consegue separar antissemitismo de crítica à política israelense. A motivação dele, pelo que dá pra deduzir pois ele não fala isso textualmente, é que um dia 'viu' o que o sionismo era e "virou" um judeu antissemita (isso mesmo, você não leu errado, o tal Gilad é judeu e antissemita). Achou bizarra a coisa? Pois existe.

E não me refiro aquele slogan questionável criado nos EUA ou em Israel de "self-hating jews" pra calar ativistas contrários à política israelense acusando-os de se "auto-odiarem". O exemplo que citei acima é de um judeu que odeia ser judeu, só que atrela toda sua identidade a essa questão ao invés de deixá-la de lado ou se afastar (seria a postura de alguém sério). Ou ele fala a sério no ódio pois não é o único com essa postura, ou está fazendo cortina de fumaça pra direita israelense pois radicais desse tipo são "amados" pela direita de Israel que acaba tendo espaço pra tocar na tecla da questão do genocídio da segunda guerra por conta desse discurso antissemita e de ativistas sem noção que vivem reduzindo a questão do Oriente Médio ao nazismo achando que estão "politizando" as pessoas com isso e não estão.

Assistam o documentário que vocês entenderão melhor o problema. O documentário também toca na ADL (dos EUA) com acusações graves que ficaram sem resposta, e não são acusações quaisquer, daquelas feitas por antissemitas e sim algo sério.

Não dá pruma pessoa normal assistir um negócio desses e ficar indiferente a não ser que seja desprovido de qualquer senso crítico e de humanismo, por isso que comentei que evito discutir Oriente Médio aqui pois primeiro: atrai muita gente sem noção/maluca (fanáticos) enchendo o saco e agredindo (de todo tipo de vertente, pró-palestino, pró-Israel etc), ou tentando te "convencer" via retórica dos "pontos de vista" de A, B ou C achando que estão discutindo com idiotas, e geralmente quebram a cara pois não estão discutindo com idiotas. Eu não tenho paciência com esse tipo de pessoa (digamos que eu também não seja lá muito paciente com gente intolerante ou que fica tentando escamotear os assuntos e direcioná-los achando que a gente não percebe isso), já chega os "revis" como "malucos", tolerância zero pro resto e até com eles se encherem o saco.

Segundo que: por não haver uma autocrítica séria proveniente de entidades judaicas no Brasil e em outros países em relação às críticas e denúncias sobre esse nacionalismo exacerbado em Israel e assuntos ligados a esses conflitos do Oriente Médio, que não foram feitas por antissemitas ou "revis", a não ser demonstrarem apoio irrestrito e cego a Israel, eu não farei "papel" de "consciência moral" por essas entidades e pessoas pois, além de não ter ligação com aquele país, minha consciência e posição política não tolera este tipo de conduta. Não gosto de covardia e de gente querendo ser "esperto" tirando o corpo fora. A gente critica o fascismo e extremismo justamente por coisas como o que se passa. E como já deixei claro noutro post, o Oriente Médio (como um todo, Israel incluso) não é uma região do planeta que me cause qualquer fascínio (no sentido ruim do termo).
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1. Só quero deixar de aviso que já sei decorado o discurso de Israel e do lado palestino e como já demonstrei, tenho posicionamento na questão e não preciso de radical dos dois lados vir dar "lição de moral" quando não possuem moral alguma pra dar. Portanto a quem quiser me propagandear que aquela região do globo é 'fascinante' por conta de idealizações românticas, guarde isso pra você, sou cético, propaganda e idolatria alheia não me comovem, pelo contrário, isso me irrita profundamente, não me impressiono fácil com essas coisas. A quem acompanha o blog já viu aqui críticas pesadas aos "revis" por esse tipo de postura de idealizarem o "mundo europeu encantado" (países alheios) quando destratam o país que nasceram, ou por ignorância, complexo ou burrice ou as três coisas juntas, comportamento que precisa ser combatido no Brasil, mas não são só "revis" que possuem esse defeito de destratar o Brasil. Ficam repetindo ladainha da mídia brasileira de que o país é o "esgoto do mundo" e essa ladainha já saturou pela mídia brasileira estar fazendo politicagem ordinária em vez de jornalismo.

2. Mais outro aviso é que antes de alguém vir criticar, assistam o filme, aí sim podem comentar dizendo o que acharam. Criticar sem ver é coisa de idiota. Por que faço esses avisos? Porque já trombei várias vezes com pessoas que se enquadram neste comportamento que descrevi e é uma discussão desagradável, irritante e pueril, é como discutir com uma porta, com gente que vive no mundo da Lua, em uma realidade paralela, delirando e ninguém tem obrigação de aturar esse tipo de coisa. O problema disso proliferar é que que muita gente no Brasil fica acanhada em ser "chata" e deixa essa postura mala-sem-alça se alastrar, mas eu não tenho o menor problema em passar por chato quando acho passaram dos limites.

3. A gente quando comenta esses temas pisa em ovos, pois ao contrário do que os "revis" pregam (com a cretinice habitual de sempre), críticas, mesmo legítimas a Israel ou à política israelense não costumam ser de fato aceitas ou bem recebidas por Israel e quem o apoia, ao contrário do que muita gente que defende este país alega. Não é uma inverdade quando "revis" tocam nesta questão, que tem nome (Hasbará), no caso dos "revis", eles quererem tirar uma lasca dessa postura idiota de Israel pra angariar legitimidade pra eles em cima do conflito do Oriente Médio, mas a afirmação dessa vez não é falsa.

4. Essa política israelense de querer abafar opinião pública de todas as formas costuma provocar o efeito inverso (colateral), cada vez mais a percepção das pessoas sobre esse país piora no mundo inteiro pois as pessoas percebem essas ações deliberadas de abafa, principalmente com o acesso às informações hoje via internet e com a disparidade de mortos de lado a lado nesses massacres pra fins eleitoreiros feito pelo governo israelense.
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P.S. 1 Escrevi esse post há dias por isso não havia saído ainda esse último desenrolar da crise em Gaza que já vai em 800 mortos praticamente, e agora com um ataque frontal ao Brasil como país, um insulto inaceitável mas que depõe contra quem o profere e não contra o Brasil, a não ser na cabeça dos cretinos de uma direita aloprada brasileira que não possuem qualquer senso de pátria ou nação. Refiro-me a essa asneira proferida por um porta-voz do governo israelense, Yigal Palmor, atacando o Brasil chamando o país de "anão diplomático" e citando o jogo de 7x1 com a Alemanha pra comparar de forma ridícula com um massacre (link), algo digno de um completo idiota/cretino. O cidadão ainda ignora o fato de que não é o Brasil que está isolado ou sendo rechaçado no mundo inteiro, como também e tampouco trata-se de um "anão diplomático". "Anão diplomático" é quem consegue ser odiado no mundo inteiro por massacres midiáticos e não consegue nem sequer ter uma política diplomática razoável, com um um linguajar diplomático digno de quitanda, de um governo isolado e criticado em todo o mundo.

P.S. 2 O mundo escuta o "anão diplomático" brasileiro (estou usando o termo dado em sentido irônico), e não é uma ideia muito boa atacar o "anão diplomático" dessa forma tão cretina pois isso é mal visto no resto do mundo (que gosta do Brasil) e internamente no país (exceção feita aos brasileiros anti-brasileiros, os mesmos que fizeram campanha contra a Copa do Mundo), principalmente pela tradição de resolução de conflitos pelo corpo diplomático do país. O que dá pra constatar desse episódio é que só os mais fanáticos/bitolados hoje apoiam o governo de Israel, por isso que o termo isolamento é totalmente pertinente, Israel encontra-se isolado e não por ação de terceiros e sim pela atitude inconsequente e estúpida de seus governos, dos neocons de Israel e da direita inconsequente (Link2) mundo afora. Gueto ideológico não é minha praia, pois essa direita brasileira neocon não passa disso: gueto ideológico de quinta categoria, escória política do Brasil. Latem muito, escrevem muita besteira, e se restringem a guetos pois ninguém em sã consciência leva esse pessoal a sério a não ser como exemplo de surto psicótico.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

[Pausa Musical] - Adeus ao torcedor do Sport, Ariano Suassuna (1927-2014)

Deixar um último adeus ao célebre rubro-negro - ou como ele diria, torcedor do Sport pois rubro-negros há vários clubes e "torcidas" por aí - que nos deixou no dia de ontem, 23 de julho. Agradecer a ele, o mais pernambucano dos paraibanos, por dividir a paixão e o sentimento único que é torcer pelo Sport Club do Recife.

Ele aparece no Pausa Musical de abril com uma aula espetáculo. Caso alguém queira assistir, segue o link abaixo:
Pausa Musical - Aula Espetáculo de Ariano Suassuna

Também acho importante que as pessoas assistam essas entrevistas (há várias pelo Youtube), dele falando de seu amor pelo Brasil e pelo futebol e aqui sobre a data de fundação do clube, dia 13 de maio (que é também dia da abolição da escravidão no Brasil, link2)

Adeus Suassuna, pois como bem disse, felicidade é torcer pelo Sport. (Link2, Link3).

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sobre ofensiva em Gaza (2014)

Eu iria fazer post como continuidade deste post "Os selfies de Auschwitz. A banalização da memória" e outros sobre questões geopolíticas que alguns grupos trouxeram à tona usando a Copa pra isso, mas ficará pra outra ocasião. Eu ia fazer um balanço do assunto por conta deste post: "Copa do Mundo no Brasil, post pro pessoal que reside fora do Brasil (estrangeiros) sobre o evento. Para entender o "caos" proclamado na mídia estrangeira e brasileira", mas fica pra outra oportunidade.

Como a ofensiva em Gaza pegou todo mundo de surpresa antes mesmo do término da Copa do Mundo, segue este post condenando a posição do governo israelense e a ofensiva pirotécnica pra agradar setores internos daquele país (da direita radical, passando pela direita e centro israelense, por assim dizer). Chamar radical é "forma de dizer", trata-se de uma sociedade radicalizada pelo nacionalismo. Não me agradava também a postura de grupos que se denominam de esquerda "pacifistas" em Israel com uma postura reativa ao extremo, pelo menos do que vi no Orkut. Eu não pude na época externar esta opinião que externo agora sobre isso, primeiro porque quando perco a confiança em certas pessoas passo a vê-las de forma atravessada e corto o diálogo. Como também por ter saído de algumas dessas comunidades pois houvera entrado pra avaliar o que cada grupo pensava/comentava do conflito e isto acabou não acrescentando muito (os livros foram mais relevantes que estas comunas/grupos), com uma briga feia com um direitista radical. Havia um tipo de postura nessas comunidades que não me agrada que é o de tentar conciliar de forma forçada grupos que pensam de forma radicalmente distintos quando uma parte nem sequer tolera a presença da outra parte, isso em questões internas do Brasil mesmo, e não faltaram alertas que aconteceriam brigas por esta razão (algo previsível).

A última ofensiva deste tipo por parte de Israel foi em 2009, com o mesmo pretexto ou motivação parecida, e não preciso comentar a repercussão e impacto disso na época, acho que muita gente lembra do episódio.

A quem quiser saber o posicionamento do blog sobre as questões do Oriente Médio basta dar uma olhada na tag (marcador) Oriente Médio e ler os posts da tag, mas mais precisamente este post aqui e este outro.

Não vou detalhar o problema do conflito pois eu iria fazer um post sobre Oriente Médio com indicação de alguns livros sobre isso já que a mídia brasileira (e estrangeira) pouco esclarece o público sobre esses temas (salvo exceções) a não ser banalizar e muitas vezes se posicionar de forma não muito clara, além de grupos radicais de vários espectros (pró-Israel ou não) aproveitarem e criarem mais confusão em torno desses assuntos. Fica também pra outra ocasião.

Curiosamente o post "Selfies de Auschwitz" tem muito a ver com o assunto em questão do post, mas como não dava pra comentar o conteúdo da matéria, com detalhes, e ignorando o evento atual naquela região do planeta, achei melhor fazer este post isolado.

Minha posição política não leva em conta as idiotices que "revisionistas" (negacionistas) do Holocausto comentam sobre Holocausto, nazismo e afins, não dá pra levar em consideração um grupo inexpressivo no Brasil como contraponto de todos os assuntos mundiais (como muita gente forçava e fazia no Orkut e fora dele) a não ser da proliferação do racismo no país, algo que já comentei diversas vezes e insisto no ponto pois a ideia central desses bandos é essa.

Além de "defenderem" um fascismo "difuso" que eu já apelidei de "fascismo sem pátria" já que boa parte desses 'fascistas' "revis" sentem uma profunda aversão ao Brasil e ficam exaltando a descendência/origem deles o tempo todo como se isso tivesse alguma relevância a não ser atestar a própria idiotice desse pessoal, querendo se distinguir dos demais brasileiros com crendices racistas de supremacia pela origem familiar. Por sinal, é contraditório um fascista odiar o próprio país, por isso que o termo que cunhei escancara (e ironiza) a contradição central de vários desses bandos de extrema-direita de cunho fascista/ultraconservador no Brasil.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Os selfies de Auschwitz. A banalização da memória

Os selfies que consternaram a comunidade judaica
Por Boris Leonardo Caro | Blog de Noticias – mar, 1 jul 2014

Os adolescentes posam na entrada de Auschwitz,
como se fossem um grupo pop
Um garoto posa no Memorial do Holocausto em Berlim e destaca seus tênis New Balance com uma hashtag. Outro casal de adolescentes, em frente ao campo de concentração de Dachau, na Alemanha, presume de seus abrigos comprados em Zara. Garotas sorridentes, com polegares pra cima, gestos sedutores, em Auschwitz, em Treblinka, nos lugares onde o nazismo exterminou milhões de pessoas há pouco mais de meio século.

Essas imagens, muitas tiradas por jovens judeus durante suas viagens escolares para render tributo às vítimas do Holocausto, consternaram o público em Israel e em outros países com presença da diáspora judaica. Nessa nação do Mediterrâneo oriental as opiniões dividiram entre aqueles que fustigam o narcisismo desavergonhado das novas gerações e outras vozes que consideram o fato uma expressão lógica da comunicação desta época.

Quando as palavras esvaziam a história

"De certa maneira não é culpa desses garotos", disse ao The New Yorker a criadora da página no Facebook "Com minhas melhores amigas em Auschwitz", que apresentava uma coleção de selfies publicados no Instagram pelos jovens turistas. A exibição dessas imagens, acompanhadas por sarcásticos pies de fotos, fez estourar o debate em Israel.

"Muitos políticos usam cinicamente o Holocausto para fazer avançar seus próprios interesses", assinalou a revista estadunidense. No seu entendimento, o tema do extermínio judeu tem sido utilizado também pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu como moeda corrente em sua retórica nacionalista.

Os políticos têm usado a memória do Holocausto para
exacerbar o nacionalismo israelense. (EFE/Abir Sultan)
Algumas vozes em Israel questionaram a intenção política desses périplos escolares pelos campos de concentração, que contribuíram para exacerbar a paranoia e o nacionalismo nos jovens, em especial nos homens obrigados a prestar serviço militar desde os 18 anos.

A página no Facebook foi desativada na quarta-feira passada, mas sua autora considera que cumpriu seu objetivo. "Aqueles que não entenderam a mensagem até agora, provavelmente nunca a compreenderão", disse a The New Yorker.

A beleza de um povo sobrevivente

Contudo, nem todos compartilham da visão apocalíptica de uma juventude indiferente à história. Sharna Marcus, uma professora que organizou viagens de estudantes estadunidenses à Polônia e Alemanha, escreveu sobre como os professores devem ensinar seus alunos qual é a conduta correta nos lugares onde ocorreu o Holocausto.

"Se os adolescentes posam de maneira inapropriada para inumeráveis selfies, temos que lhes exigir, se for necessário, que se comportem com um pouco mais de decoro", assinalou no site Jewish Philanthropy. Para Marcus, publicar fotos nas mídias sociais é simplesmente a forma de comunicação de muitos desses garotos.

Milhares de jovens judeus viajam a cada ano à Europa
para honrar as vítimas do Holocausto.
(Foto AP/Czarek Sokolowski)
"O sorriso dos adolescentes judeus em Auschwitz, frente ao letreiro Arbeit Macht Frei (o trabalho liberta) irradia certa beleza. Apesar do empenho de Hitler, o povo judeu segue aqui e o estará para sempre", assegurou.

O útil tormento da fotografia

Deveriam proibir fotografias nesses monumentos que recordam o extermínio executado pelos nazis? A jornalista estadunidense Leah Finnegan crê que não. "Devemos seguir publicando - e compartilhando - imagens dos lugares onde ocorreu o horror até que esses lugares inevitavelmente se desintegrem", escreveu que no website The Awl.

Finnegan recordou uma frase da escritora norte-americana Susan Sontag: "As narrativas nos faz compreender. A fotografia faz algo a mais: nos atormenta".

Os jovens que hoje apagam por vergonha seus festivos selfies nos campos de concentração, logo sentirão a repreensão em suas consciências por terem atuado com trivialidade no local onde era necessário ter moderação, guardarão essa experiência em sua memória. Os políticos passam, os cursos de história mudam, mas dificilmente a impressão de genocídios como o perpetrado pelos nazis desaparece. Cada foto, profunda ou superficial - como o espírito de qualquer adolescente - contribui para essa perpetuação.

Fonte: Yahoo! en español
https://es-us.noticias.yahoo.com/blogs/blog-de-noticias/los-selfies-que-han-consternado-a-la-comunidad-jud%C3%ADa-151835992.html
Tradução: Roberto Lucena

Observação 1: depois farei um post sobre essa Marcha da Vida (ou "Marcha pela vida") pois a matéria acima toca diretamente nela e comenta os efeitos colaterais que a mesma está provocando como essa banalização descrita acima, já que acho que é melhor tratar a questão num post à parte. Além da questão do uso da memória histórica com uma retórica nacionalista. Destaco isso pois há posts muito antigos no blog sobre esse evento sem uma análise ou crítica sobre o mesmo já que na época que esses assuntos vieram à tona não havia muita informação sobre esses eventos e nem os questionamento ou denúncias mencionadas no texto acima. Assisti um documentário crítico a essas marchas e a mais questões que envolvem esses assuntos (que os "revis" divulgam como se fosse filme "revisionista" mas não é) e a impressão causada pelo evento no filme não foi das 'melhores' (pra não dizer logo que foi péssima).

Observação 2: curioso como esses blogs do Yahoo! em espanhol têm conteúdo jornalístico bom e razoável enquanto a versão brasileira dele é uma coisa pavorosa de se ler e ver. E por favor, sem a desculpa esfarrapada habitual de que "é o povo que quer ver isso", o povo quer ver isso coisa alguma, há uma imposição de conteúdo de quinta categoria à população no Brasil por boa parte da mídia do país, estrangeira ou nativa, e as reclamações não são isoladas vide os comentários constantes reclamando desse tipo de conteúdo lixo no Yahoo! brasileiro, TVs, jornais etc.

Pergunta ao site Yahoo!: vão continuar com essa política de fornecer porcaria aos brasileiros até quanto? Essa desculpa de que o povo "gosta" de ver isso é balela, sempre foi, essa desculpa sempre foi uma justificativa pra continuar impondo esse tipo de conteúdo lixo sem que o povo se rebele e boicote esses sites, TVs e cia, isso é imposto de cima pra baixo, embora o certo fosse o povo boicotar esses sites até que eles mudassem esse tipo de política e tratasse com respeito o público brasileiro. Ou muda ou deixem eles fecharem. Acho a prática do boicote válida, é uma manifestação pacífica e consciente e que bate onde "dói". Uma mesma empresa estrangeira que atua no Brasil e outros países fornecer conteúdo bom pro público espanhol e fornecer porcaria pro público brasileiro é no mínimo algo "curioso".

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Morre aos 102 anos Richard Rudolph, sobrevivente de campo de concentração

Morre aos 102 anos Richard Rudolph, sobrevivente do campo de concentração

SELTERS, Alemanha — Richard Rudolph, que era Testemunha de Jeová, morreu em 31 de janeiro de 2014, aos 102 anos. Richard havia sobrevivido a cinco campos de concentração nazistas e ao encarceramento debaixo do regime comunista.

Os nazistas assumiram o poder em 1933, e as atividades das Testemunhas de Jeová foram proscritas em boa parte da Alemanha. Por causa disso, 11.300 Testemunhas de Jeová foram presas pelos nazistas, e mais de 4 mil, incluindo Richard Rudolph, foram enviadas a campos de concentração. Cerca de 1.500 delas perderam a vida. Debaixo do regime nazista, Richard Rudolph passou nove anos na prisão e sobreviveu a cinco campos de concentração, incluindo os temíveis campos de Sachsenhausen e Neuengamme, onde mais de 300 mil pessoas foram encarceradas e cerca de 140 mil morreram.

Em 1944, Richard foi transferido para Salzgitter-Watenstedt, um campo satélite de Neuengamme. Suas convicções religiosas não lhe permitiam fazer nenhum trabalho associado à produção de armamentos. Por isso, ele foi ameaçado de ser executado. Mas Richard conseguiu escapar da morte porque um oficial da SS ficou tão impressionado com as convicções religiosas dele que o escondeu em um caminhão de suprimentos.

Richard Rudolph (no telhado, à direita) foi um dos prisioneiros forçados a construir o campo de concentração de Neuengamme em 1940.

Depois da Segunda Guerra Mundial, Richard continuou suas atividades religiosas como Testemunha de Jeová na zona de ocupação soviética, mais tarde chamada República Democrática Alemã (RDA). Em 1950, ele foi novamente detido e sentenciado. Ao todo, Richard passou mais de 19 anos na prisão por causa de suas crenças religiosas.

Com Ann-Jacqueline Frieser, que em 2009 ganhou
dois prêmios pelo trabalho biográfico sobre ele.
Por décadas, Richard Rudolph se dedicou a transmitir a outros a mensagem da Bíblia e o que ele aprendeu sobre o que a discriminação pode fazer com as pessoas. Em 2009, uma jovem estudante da Alemanha, Ann-Jacqueline Frieser, ganhou dois prêmios num concurso nacional intitulado “Heróis: honrados, incompreendidos e esquecidos”, apresentando a biografia e a entrevista que fez com Richard Rudolph. Ela ficou em primeiro lugar no Estado de Rheinland-Palatinate e ficou entre os três melhores alunos que ganharam o prêmio nacional.

Wolfram Slupina, porta-voz das Testemunhas de Jeová na Alemanha, disse: “Richard Rudolph, além de ter sido um querido amigo e um irmão espiritual, foi uma fonte inestimável de informação histórica. Sua vida de notável fé e coragem é um exemplo para todos nós.”

Contato(s) para a mídia:
Internacional: J. R. Brown, Departamento de Informações ao Público, tel. +1 718 560 5000
Alemanha: Wolfram Slupina, tel. +49 6483 41 3110

Fonte: jw.org (site das TJ); link indicado por M. Jorge Caetano no FB
http://www.jw.org/pt/noticias/noticias-2/por-regiao/alemanha/richard-rudolph-morre/

terça-feira, 1 de julho de 2014

Portugueses nos campos de concentração nazis (Especial)

Saiu um especial no jornal Público (de Portugal) sobre a presença de portugueses nos campos de concentração nazistas. Como tem muita coisa vou deixar o link da página (sugestão de Tiago Aires) especial do site do Público com as matérias, e abaixo no post um resumo da reportagem. Eu havia salvo um link sobre isso pra postar aqui e citando de memória acho que iria passar um especial na TV mas não afirmo, se eu encontrar link depois (ou alguém tiver, pode deixar nos comentários) depois faço uma atualização do post.

Eis o link principal: Investigação. Portugueses nos campos de concentração
http://publico.pt/revista2/portugueses-nos-campos-de-concentracao

Patrícia Carvalho (textos) e Nelson Garrido (fotografias e vídeo)
A pergunta surgiu depois de uma visita a Auschwitz: seria possível que, de todos os prisioneiros que por ali passaram, de tantos países, nenhum fosse português? Em 2013, fomos à procura da resposta. Durante nove meses, vasculhámos arquivos, analisámos listas de transporte e registos de baptismo, percorremos Portugal e visitámos campos de concentração, bases de dados e familiares de vítimas em França, Alemanha e Polónia. A resposta está dada: houve muitos portugueses enviados para os campos de concentração nazis.

Segundo link: A história nunca contada dos portugueses nos campos de concentração
http://www.publico.pt/portugal/noticia/a-historia-nunca-contada-dos-portugueses-nos-campos-de-concentracao-1659681

Segue abaixo um resumo que é uma matéria do próprio jornal Público.

Investigação inédita detecta 70 portugueses nos campos de concentração nazis
Lusa

27/03/2014 - 22:31

Depois de não ter conseguido apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, historiador Fernando Rosas vai candidatar-se a financiamento de fundação alemã para desenvolver projecto

Pelo menos 70 portugueses estiveram nos campos de concentração e 300 foram sujeitos a trabalhos forçados durante a Segunda Guerra Mundial, revelou o historiador Fernando Rosas, que lidera a investigação sobre este aspecto desconhecido do passado.

"Há portugueses que se encontram nos campos de concentração nazis, mas que estão nos campos por razões que se desconhecem. Pode ser por serem associais. Há certas categorias cuja punição era o campo de concentração", referiu, acrescentando que foram detectados pelo menos 70 portugueses nos campos de extermínio de Auschwitz e Birkenau."Detectámos, por exemplo, um português de Cascais que é preso em Marselha e enviado para Auschwitz. Porque é que está em Auschwitz? Não é por ser emigrante, porque, quando muito, era obrigado ao trabalho forçado, mas não estaria num campo de concentração. Ou era resistente ou fazia parte daquelas categorias de associais que eram mandados para os campos", explicou Fernando Rosas.

O historiador e ex-dirigente do Bloco de Esquerda lidera um projecto de investigação realizado no âmbito do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa que envolve vários investigadores especializados nas relações luso-alemãs durante este período histórico. "Obtivemos a primeira notícia através das informações que existem nos campos de concentração de que há vários portugueses mortos e o nosso projecto começou por aqui. Depois surgiu-nos a possibilidade de concorrer a um financiamento de uma instituição alemã que está interessada em financiar as investigações sobre o trabalho forçado na Alemanha", acrescentou.

O trabalho forçado no III Reich era feito por diferentes tipos de pessoas: além dos prisioneiros havia pessoal contratado e ainda gente enviada para a Alemanha pelos países ocupados. Fernando Rosas fala nos escravos que trabalhavam para empresas como a IG Faber, por exemplo, em Auschwitz e Birkenau. “Temos a presunção de que havia portugueses nesta situação (…) e vamos à procura deles", afirma. O investigador foi convidado para concorrer ao financiamento de uma fundação alemã, visto não ter conseguido apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Para o estudo do trabalho forçado, os historiadores investigam pelo menos duas vias, a primeira através da emigração, porque, segundo Fernando Rosas, "há muita gente emigrada [portugueses] já nessa altura, e muito mais do que se pensa, em França e na Bélgica".

O governo de Vichy (governo colaboracionista francês durante a ocupação nazi, entre 1940 e 1944) é obrigado, a partir de 1942, a trocar prisioneiros de guerra franceses por trabalhadores usando sobretudo emigrantes como moeda de troca. Segundo Fernando Rosas, há várias dezenas de trabalhadores portugueses emigrados que são enviados pelas autoridades colaboracionistas para solo alemão.

Para o historiador, é preciso também estudar o eventual envolvimento do Estado português em todo o processo e tentar saber até que medida houve ou não recrutamento de trabalho forçado em Portugal, tal como aconteceu em Espanha." Uns foram parar aos campos de concentração porque já eram refugiados da Guerra Civil de Espanha e há também os emigrantes que são arrebanhados pelos nazis - quer por contratação directa, quer por troca [de prisioneiros] efectuada pelo Governo francês ", explicou Fernando Rosas.

Uma parte dos portugueses são republicanos que combateram na Guerra Civil de Espanha (1936-1939). Encontravam-se internados nos campos de refugiados no sul de França após a vitória das forças nacionalistas de Francisco Franco e foram levados para os campos de concentração nazis já durante a II Guerra Mundial (1939-1945). Alguns escaparam dos campos de refugiados franceses e quando a França foi ocupada pelos nazis juntam-se à Resistência francesa. Mais tarde foram "presos como resistentes vão para Auschwitz e Birkenau", relata Fernando Rosas.

A existência de portugueses nos campos de extermínio nazis é um assunto até ao momento inédito e nunca estudado, assim como a presença de trabalhadores portugueses como escravos em fábricas na Alemanha, tendo sido referido esta quinta-feira pela primeira vez pela revista Visão.

Fonte: Público (Portugal)/Lusa
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/investigacao-inedita-detecta-70-portugueses-nos-campos-de-concentracao-nazis-1630044

Ver mais:
Há 70 portugueses que estiveram nos campos de concentração nazis (Jornal de Notícias, Portugal)

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